E d u c A ç ã o

21/06/2009

Carta escrita em 2070…

Filed under: Aquecimento Global,Meio Ambiente,Viver bem — jspimenta @ 17:17

seca NO MUNDO

“Estamos no ano de 2070, acabo de completar os 50, mas a minha aparência é de alguém de 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água.
Creio que me resta pouco tempo.
Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.
Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente.
Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro com cerca de uma hora.
Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele.

Antes todas as mulheres mostravam a sua formosa cabeleira.
Agora devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água.
Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que a agua se utilizava dessa forma.

Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA AGUA, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a agua
jamais se podia terminar.
Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão
irreversivelmente contaminados ou esgotados.
Antes a quantidade de agua indicada como ideal para beber era oito
copos por dia por pessoa adulta.
Hoje só posso beber meio copo.
A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado porque as redes de esgotos não se usam por falta de água.

A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados
pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas
que já não têm a capa de ozono que os filtrava na atmosfera.

Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os
lados.

As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias
urinárias são as principais causas de morte.
A industria está paralisada e o desemprego é dramático.
As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e
pagam-te com agua potável em vez de salário.
Os assaltos por um bidão de agua são comuns nas ruas desertas.
A comida é 80% sintética. Pela ressiquidade da pele uma jovem de 20
anos está como se tivesse 40.

Os cientistas investigam, mas não há solução possível.
Não se pode fabricar agua, o oxigénio também está degradado por falta de arvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.

Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como consequência há muitos meninos com insuficiências, mutações e
deformações.
O governo até nos cobra pelo ar que respiramos. 137 m3 por dia por
habitante e adulto.

A gente que não pode pagar é retirada das “zonas ventiladas”, que
estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com
energia solar, não são de boa qualidade mas pode-se respirar, a idade
média é de 35 anos.
Em alguns países ficaram manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exercito, a agua tornou-se um tesouro muito cobiçado mais do que o ouro ou os diamantes.

Aqui em troca, não há arvores porque quase nunca chove, e quando chega a registar-se precipitação, é de chuva ácida; as estações do ano tem sido severamente transformadas pelas provas atómicas e da industria contaminante do século XX.

Advertia-se que havia que cuidar o meio ambiente e ninguém fez caso.
Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens,
beber toda a agua que quisesse, o saudável que era a gente.
Ela pergunta-me: Papá! Porque se acabou a agua?
Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de sentir-me culpado, porque pertenço à geração que terminou destruindo o meio ambiente ou simplesmente não tomámos em conta tantos avisos.

Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que
a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco porque a
destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.

Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade
compreendesse isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar o
nosso planeta terra!”

Documento extraído da revista biográfica “Crónicas de los Tiempos” de
Abril de 2002.

(Contribuição de António Rosa – Portugal).

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05/04/2009

Quando crescer, vou ser… etnobiólogo!

Filed under: Cultura,Etnobiologia,Meio Ambiente — jspimenta @ 16:16

Esse profissional estuda como cada cultura lida com os bichos e as plantas

Em diferentes lugares do mundo, animais são venerados, outros são temidos, ervas são usadas para curar doenças e assim por diante. Na verdade, cada cultura tem a sua maneira de lidar com bichos e plantas a sua volta e, de alguma forma, acaba influenciando e sendo influenciada por eles. Compreender como acontece cada uma dessas relações é o desafio de um ramo da ciência conhecido como etnobiologia.

O etnobiólogo, portanto, é aquele que estuda o conhecimento produzido por cada comunidade a respeito dos seres vivos e como eles interferem nas crenças e na cultura dessa comunidade. Por isso, é um profissional que precisa conhecer diferentes áreas da ciência, como biologia e antropologia (ciência que estuda o comportamento humano), além de saber valorizar a riqueza cultural e a biodiversidade. Quem quiser, então, ser etnobiólogo precisa deixar qualquer preconceito de lado e respeitar outras formas de ver o mundo.

Segundo o etnobiólogo José Geraldo Wanderley Marques, da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia, é necessário ser bastante curioso e tolerante. “As culturas, assim como os seres vivos, podem mudar o tempo todo. É preciso ter vontade de sempre descobrir novas coisas”, explica ele. “Mas é preciso ter em mente que não existe uma cultura superior à outra, todas elas se equivalem. Todas apresentam características boas e ruins”, acrescenta.

Ele conta ainda que desde criança se interessa por animais e por ecologia. Nascido em Santana de Ipanema, no estado de Alagoas, cresceu cercado de animais de estimação e gostou de ter as suas fazendas de formiga. “A bagagem cultural que adquiri no interior foi importante. Eu passei a querer saber o que a cultura tem a ver com os seres vivos”, comenta. “Eu nem conhecia a etnobiologia, mas de maneira intuitiva eu dava os primeiros passos nesta área.”

Marques já trabalhou com diferentes comunidades, como os praticantes do candomblé e os pescadores artesanais do litoral alagoano. Pesquisou, também, animais ligados a mitos e lendas do catolicismo popular. “Estudamos mais de 100 animais, mas um dos que mais me chamaram a atenção foi o caso de uma pequena ave, a lavadeira-mascarada (Fluvicola nengeta)”, conta. “Ela originalmente era encontrada em áreas abertas do Nordeste, mas hoje também é vista nas cidades”.

Uma explicação para isso, de acordo com o pesquisador, é o fato de a lavadeira ser considerada uma ave sagrada pelos seguidores do catolicismo popular. As pessoas não caçam, aprisionam, matam ou comem a lavadeira, que hoje está longe de ser considerada uma espécie em extinção. “Esse mito persiste até hoje. Os mais velhos ensinam às crianças que se tentarem matar uma lavadeira, ela virá à noite furar seus olhos”.

Mas nem todos os animais têm a sorte da lavadeira. O bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), por exemplo, é tido como uma ave de mau agouro. Essa ave é relacionada à traição. Até hoje, em algumas cidades do interior do Brasil, os adolescentes aprendem pontaria atirando em bem-te-vis (pobres aves!).

Mas muito se engana quem pensa que o conhecimento produzido por essas comunidades vale apenas para elas. Entrevistas com os integrantes podem ajudar o etnobiólogo a perceber mudanças no ecossistema que, em geral, passam despercebidas a pessoas que vêm de fora. É o que conta a etnobióloga Natalia Hanazaki, da Universidade Federal de Santa Catarina. Ela trabalha com comunidades de pescadores, que, muitas vezes, são os primeiros a perceber que algumas espécies de peixes já não são encontradas com tanta facilidade.

“Alguns pescadores mais jovens já não conhecem espécies de peixes, que antes eram encontradas na região. Isso mostra que não apenas a biodiversidade da região está diminuindo, como o conhecimento passado de geração em geração está desaparecendo também”, comenta Hanazaki. “Alguns pescadores mais antigos comentam, ainda, que já não usam mais algumas espécies de plantas que antes eram comuns nas paisagens do litoral de Santa Catarina”.

Hanazaki lembra que não apenas o conhecimento produzido dentro dos institutos de pesquisa e universidades é o verdadeiro. O etnobiólogo precisa estar aberto a outras maneiras de pensar. “Eu sempre tive na minha cabeça que sardinha era uma espécie de peixe, que eu só conhecia das latas que compramos no supermercado. Na verdade, fui aprender com os pescadores que eles chamam várias espécies de peixes pelo nome de sardinha, mesmo algumas que os cientistas batizaram com outro nome”, explica. “Não existe uma forma correta ou errada. São apenas formas diferentes de classificar os animais.”

Bem, se você se interessou em ser um etnobiólogo, existem alguns caminhos que pode seguir. Você poderá optar por um curso na área das ciências biológicas – como a maioria dos etnobiólogos brasileiros – ou se aprofundar na área de humanas, em especial, na antropologia – assim como a maior parte dos etnobiólogos ao redor do mundo. Mas o que importa mesmo é gostar de descobrir, respeitar novas culturas e novas formas de olhar a natureza.

Igor Waltz
Instituto Ciência Hoje/RJ
REVISTA CHC 199 :: MARÇO DE 2009
Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br/140372

03/04/2009

A floresta, o clima e o lugar do índio

Filed under: Índios,Demarcação de Terras Indígenas,Meio Ambiente — jspimenta @ 22:45

 

Seria preciso relembrar os vários estudos, principalmente do Instituto Socioambiental (ISA), de São Paulo, sobre a importância das áreas indígenas para a conservação da biodiversidade (o Brasil tem de 15% a 20% do total mundial).

Washington Novaes é jornalista especializado em meio ambiente. Artigo publicado em “O Estado de SP”:

A demarcação da reserva indígena Raposa-Serra do Sol em área contínua ainda gera manifestações de desagrado e até de inconformismo, dos dois lados. A própria Fundação Nacional do Índio (Funai) acha que as 19 regras criadas no julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para novas demarcações criam dificuldades extremas, e por isso pede esclarecimentos ao Ministério Público (Radiobrás, 30/3).

O presidente da Funai, Márcio Meira, diz que os índios na Amazônia “sempre foram mais avançados que os brancos – ditos civilizados – que ocuparam a Amazônia há apenas 400 anos e passaram a destruir a floresta. Os índios a ocupavam há mais de 13 mil anos e sempre preservaram o meio ambiente” (Correio Braziliense, 8/2).

Do ponto de vista jurídico, a demarcação em área contínua parece inquestionável, principalmente depois do parecer do constitucionalista José Afonso da Silva, citado neste espaço (22/8/2008), lembrando que o “indigenato” (direito dos índios à ocupação de terras onde vivem tradicionalmente) é reconhecido desde as cartas régias do governo português, a primeira delas em 1680, e continuou inscrito em todas as constituições brasileiras, de 1891 até 1988.

Mas agora, com as 19 regras, preveem-se muitas dificuldades para demarcações, a começar pelas áreas dos guaranis-caiuás, em Mato Grosso do Sul – tema sobre o qual o autor destas linhas escreve há mais de 20 anos.

Eles vivem confinados em áreas onde a exiguidade de terra por habitante os impede de viver nos modos tradicionais de suas culturas. Mas também não têm formação que lhes permita viver fora de suas terras, onde acabam fazendo o caminho tradicional, de boias-frias a alcoólatras, mendigos e loucos.

Por isso os índices de desnutrição de crianças ali e as taxas de suicídio de adultos são altíssimos – centenas já se mataram. Umdeles, um jovem de 17 anos, enforcou-se numa árvore no dia seguinte ao do seu casamento. E deixou escrito na areia, sob seus pés: “Eu não tenho lugar.”

Será complicado, de modo geral, principalmente para os povos ainda isolados ou sem reconhecimento de suas áreas. Por isso seria preciso relembrar os vários estudos, principalmente do Instituto Socioambiental (ISA), de São Paulo, sobre a importância das áreas indígenas para a conservação da biodiversidade (o Brasil tem de 15% a 20% do total mundial).

Elas têm-se mostrado mais eficazes que qualquer outro caminho, mesmo o de áreas de preservação reconhecidas em lei, parques, estações biológicas, etc. E a biodiversidade será uma das chaves do futuro na geração de novos medicamentos, novos alimentos, novos materiais que substituam os que se esgotarem ou inviabilizarem (como derivados do petróleo).

Ainda na semana passada, ao participar em São Paulo do evento Brasil e a Cúpula de Londres, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, deixou isso claro ao se referir à temática dessa reunião do G-20: não é possível discutir a crise econômico-financeira global sem tratar, ao mesmo tempo, de mudanças climáticas, florestas (e sua importância para o clima), biodiversidade, recursos hídricos e pobreza.

Se é assim, não se deve esquecer o mais recente relatório – Situação das florestas no mundo 2009 – divulgado há poucos dias pela Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que nesta versão coloca ênfase na questão da demanda por madeira e observa que “há uma forte correlação entre desenvolvimento econômico e situação das florestas”, uma pressão que cresce rapidamente, mas diferenciada por regiões: as que já alcançaram alto nível de desenvolvimento econômico são capazes de estabilizar ou até aumentar suas áreas florestais, enquanto nas outras o aumento da demanda leva à redução dos estoques.

Isso leva à exigência de mecanismos para proteger a biodiversidade, a terra, a água e a capacidade de armazenar carbono. A influência da atual crise na área de florestas dependerá, segundo a FAO, de seus vínculos com cada setor econômico – habitação, por exemplo.

Nos EUA, no início de 2006, o cálculo era de 2,1 milhões de casas novas por ano; em outubro de 2008, menos de 800 mil, com forte queda na demanda por madeira.

E o Brasil será afetado, diz o documento, que se mostra preocupado com uma queda na disposição das sociedades de pagar por serviços ambientais e também com a redução nos mercados de carbono, que levaram à queda de mais de 50% no preço da tonelada comercializada no âmbito da Convenção do Clima.

Também as transferências internacionais para reduzir emissões pelo desmatamento estão-se reduzindo e tendem a cair ainda mais, diz. A queda na demanda por madeira pode beneficiar as florestas, mas também pode levar a um aumento na extração ilegal de madeiras, afirma o relatório.

Como pode levar a um aumento no êxodo, para as regiões de florestas, de pessoas desempregadas pela crise. Já a queda no preço de commodities (soja e carnes) pode reduzir a pressão pela abertura de novas áreas até aqui ocupadas por florestas. De qualquer forma, conclui o documento, “é improvável que a demanda por madeira volte, num futuro previsível, ao pico de 2005-2006”.

Um quadro a ser muito avaliado. Já se tenta criar a ideia de que o Brasil é um país avançado no combate ao clima, com suas “metas” (“voluntárias”, e não compromissos formais) de redução das emissões pelo desmatamento – quando o critério proposto toma por base uma década de forte desmatamento e com isso cria meta que praticamente já foi atingida com a redução nos últimos anos por causa da queda de preços da carne e da soja, que baixou a pressão por novas terras na Amazônia; quando ainda nem se têm ações concretas para reduzir o desmatamento no cerrado (que responde por quase 40% das emissões); e quando nem sequer se ouve uma palavra oficial sobre as emissões de metano na pecuária.

É preciso avaliar tudo com muito cuidado, inclusive o papel dos índios nesse quadro do clima e das florestas.

(O Estado de SP, 3/4)

Disponível em: http://www.jornaldaciencia.org.br/

24/03/2009

Salve o Planeta !!! Apague as luzes…

Filed under: Aquecimento Global,Ética,Cidadania,Meio Ambiente — jspimenta @ 0:01

Sábado, 28 de março, às 20h30

Participe! É simples. Apague as luzes da sua sala.

A Hora do Planeta é um ato simbólico, promovido pela Rede WWF, no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a demonstrar sua preocupação com o aquecimento global e as mudanças climáticas. O gesto simples de apagar as luzes por sessenta minutos, possível em todos os lugares do planeta, tem o significado de chamar para uma reflexão sobre o tema ambiental: todos estão convidados a apagarem as luzes para demonstrar sua preocupação com o aquecimento global.

Em 2009, a Hora do Planeta será realizada no dia 28 de março, das 20h30 às 21h30, e pretende contar com a adesão de mais de mil cidades e 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Mais de 170 cidades de 62 países já confirmaram sua adesão à Hora do Planeta e com certeza estarei fazendo a minha parte, e você?

O WWF-Brasil participa pela primeira vez da Hora do Planeta, um ato simbólico, que será realizado dia 28 de março, às 20h30, no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a apagar as luzes, conscientes do problema mundial.
O gesto simples de apagar as luzes por sessenta minutos, possível em todos os lugares do planeta, tem como objetivo chamar para uma reflexão sobre a ameaça das mudanças climáticas.

Pela Ética e Cidadania em nosso planeta.

A Terra e as futuras gerações agradecem.

Acesse:
http://www.horadoplaneta.org.br/
http://www.wwf.org.br/informacoes/horadoplaneta/
http://www.earthhour.org/home/br:pt-BR

“Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado com certeza chegará mais longe…”

SAVE OUR PLANET.

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