E d u c A ç ã o

25/04/2009

Direitos imprescritíveis do leitor – Daniel Penac

Filed under: Leitura,Livros — jspimenta @ 20:34

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17/04/2009

Biblioteca da Floresta disponibiliza Livros de Paulo Freire para DOWNLOAD GRATUITO

Filed under: Download,Educação,Educadores Brasileiros,Livros,Paulo Freire — jspimenta @ 16:34

paulo_freire

 
 
A Biblioteca da Floresta da Ministra Marina Silva é especializada em assuntos  e  autores da Amazônia e do Acre. Entre seus objetivos consta:

 (1) organizar a informação histórica e atual sobre  desenvolvimento
 sustentável;
 (2) tornar acessíveis ao público os trabalhos de pesquisas acadêmicas e
 técnicas;
 (3) divulgar os resultados de estudos, pesquisas e projetos em execução na
 região; e
 (4) promover o diálogo entre  os saberes dos povos da floresta e o saber
 científico.

Nela, podemos encontrar outras preciosidades como a obra de Paulo Freire desbloqueadas pra impressão/download  no  site:

 http://www.ac.gov.br/bibliotecadafloresta/biblioteca/index.php?option=com_content&task=view&id=638&Itemid=128

 São livros importantíssimos de um pensador brasileiro comprometido
 profundamente com as causas sociais. O  material é inovador, criativo,
 original e tem importância histórica inédita.

 – A importância do ato de ler

 http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/A_importancia_do_ato_de_ler.pdf

 – Ação Cultural para a Liberdade

 http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/Acao_Cultural_para_a_Liberdade.pdf>

 – Extensão ou Comunicação

 http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/Extensao_ou_Comunicacao1.pdf

 – Medo e Ousadia

 http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/MedoeOusadia.pdf

 – Pedagogia da Autonomia

 http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/PedagogiadaAutonomia-P%5B1%5D.Freire.pdf

 –  Pedagogia da Indignação

 http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/PedagogiadaIndignacao-P%5B1%5D.Freire.pdf

 – Pedagogia do Oprimido

 http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/PedagogiadoOprimido-P%5B1%5D.Freire.pdf

 – Política e Educação

 http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/PoliticaeEducacao-P%5B1%5D.Freire.pdf

 – Professora sim, Tia não

 http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca/LIVROS_PAULO_FREIRE/Professora_sim,_Tia_nao.pdf

Disponível em: http://www.ac.gov.br/bibliotecadafloresta/biblioteca/index.php?option=com_content&task=view&id=638&Itemid=128

Os saberes, as bibliotecas universitárias e a edição no ciberespaço

Filed under: Bibliotecas,Educação,Leitura,Livros — jspimenta @ 15:15

(inédito)

Por ROBERT DARNTON *

O apagamento das Luzes no início do século XIX coincide com a irrupção do profissionalismo. Pode examinar-se este processo comparando a obra L’Encyclopédie (A Enciclopédia) de Denis Diderot, que encarava o saber como um todo orgânico guiado pela razão, com uma outra, L’Encyclopédie méthodique (Enciclopédia Metódica) de Charles-Joseph Panckoucke, que dividia o saber em campos autónomos e bem delimitados, semelhantes aos que hoje conhecemos: química, física, história, matemáticas, etc.

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No século XIX, estes campos tornam-se profissões, certificadas por diplomas e enquadradas por academias. Durante o século XX, a reorganização do saber materializa-se através da divisão das universidades em departamentos: a química aqui, a física ali, a história um pouco mais longe e, no meio deste território fragmentado, uma biblioteca, geralmente com o aspecto imponente apropriado a um templo do saber.

A subdivisão de cada domínio em especialidades e subespecialidades, cada vez mais exíguas, gera uma multiplicação das revistas profissionais, produzidas pelos universitários e compradas pelas bibliotecas. Este sistema funciona muito bem durante cerca de um século, até ao dia em que os grandes editores se apercebem de que poderem ganhar muito dinheiro vendendo as assinaturas destas publicações confidenciais. As bibliotecas universitárias voltaram uma vez mais a proporcionar uma clientela de qualidade. Por cada assinatura, professores e estudantes passam a receber um fluxo incessante de exemplares.

Pelo caminho, os editores podem aumentar os preços à vontade, pois quem paga é a administração e não os leitores. Além disso, os colaboradores destas revistas, na maioria professores, trabalham gratuitamente ou quase. Escrevem artigos, recenseiam obras dos colegas e participam na comissão editorial. Por vezes, fazem-no para difundir o seu saber, à semelhança das Luzes; mais frequentemente, fazem-no para assegurar a sua própria carreira.

Qual é o resultado? O orçamento atribuído em cada biblioteca universitária à aquisição destas revistas atinge níveis estrondosos. A assinatura anual do Journal of Comparative Neurology custa agora 25 910 dólares. Para receber a revista Tetrahedron, especializada em química bioorgânica, paga-se 17 969 dólares (ou 39 739 dólares na versão completa, que inclui os números especiais). O preço médio de uma assinatura anual de uma revista de química ascende a 3490 dólares. Estes preços astronómicos têm um efeito desastroso na vida intelectual.

As bibliotecas, que reservavam metade do seu orçamento de compras para as monografias (livros especializados não periódicos), passam, devido ao aumento exponencial dos preços das assinaturas, a destinar apenas 25 por cento do mesmo a essas aquisições. As edições universitárias, cujas vendas dependem quase exclusivamente das bibliotecas, deixam de poder amortizar o custo das suas monografias, razão pela qual as publicam cada vez menos. Os jovens investigadores são os primeiros prejudicados com isso.

Felizmente, este quadro está já a esbater-se. Biólogos, químicos ou físicos, mas também historiadores, antropólogos ou especialistas em literatura, já não vivem em mundos separados. Em muitos locais, os fios da interdisciplinaridade estão a estreitar-se e a formar uma estrutura sólida. A biblioteca continua a estar no centro das coisas, mas agora vai buscar os seus elementos nutritivos fora da universidade, muitas vezes nos confins do ciberespaço, através das redes electrónicas.

* Historiador, professor na Universidade Carl H. Pforzheimer e director da Biblioteca de Harvard.

Disponível em: http://pt.mondediplo.com/spip.php?article481

08/04/2009

O especialista em história da leitura

Pesquisador francês estuda os significados sociais dados aos textos pelo autor e pelo leitor.

Roger Chartier

(Márcio Ferrari)

A história da cultura e dos livros tem uma longa tradição, mas só há pouco tempo ela ampliou seu âmbito para compreender também a trajetória da leitura e da escrita como práticas sociais. Um dos responsáveis por isso é o francês Roger Chartier, 63 anos (leia a biografia no quadro abaixo). “Ele fez uma revolução ao demonstrar que é possível estudar a humanidade pela evolução do escrito”, diz Mary Del Priore, sócia honorária do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. “Se a história cultural sempre foi baseada em fundamentos estatísticos ou sociológicos, Chartier a direcionou para as significações sociais dos textos.”

Para o campo do ensino da leitura e da escrita, a obra do pesquisador traz grandes contribuições, na medida em que ilumina os diferentes interesses e usos que aproximam leitores, autores, missivistas, escribas etc. de gêneros e formatos de textos também variados. A atenção a essas questões contribuiu muito para dar apoio à base teórica dos trabalhos de educadores como as argentinas Emilia Ferreiro e Delia Lerner, em particular à noção de que a leitura implica uma elaboração de significados que não estão apenas nas palavras escritas, mas precisam ser construídos pelo leitor. Não por acaso, os primeiros estudos de Chartier – em parceria com o historiador francês Dominique Julia – foram sobre a história da Educação, com enfoque principal nas comunidades de estudantes e nas instituições. Essa reflexão levou Chartier a questionar o papel da circulação e apropriação dos textos.

Na história da leitura, Chartier enfatiza a distância entre o sentido atribuído pelo autor e por seus leitores. Para o historiador, o mesmo material escrito, encenado ou lido não tem significado coincidente para as diferentes pessoas que dele se apropriam. Uma só obra tem inúmeras possibilidades de interpretação, dependendo, entre outras coisas, do suporte, da época e da comunidade em que circula. “Chartier escolheu concentrar-se nos estudos das práticas culturais, sem postular a existência de uma ‘cultura’ geral”, diz Mary Del Priore.

O historiador se detém em realidades as mais inesperadas e específicas em torno dos livros, da leitura e da escrita ao longo dos tempos. Vai das variações tipográficas às formas primitivas de comércio, das primeiras bibliotecas itinerantes às omissões, traduções e acréscimos sofridos por obras famosas – e dá especial atenção ao aspecto gestual da leitura.

Por isso, considera que a primeira grande revolução da história do livro foi o salto do rolo de papel para o códice, ou seja, o volume encadernado, com páginas e capítulos. Maior ainda, segundo ele, está sendo o salto para o suporte eletrônico, no qual é a mesma superfície (uma tela) que exibe todos os tipos de obra já escritos. Essa é, na opinião dele, a mais radical transformação na técnica de produção e reprodução de textos e na forma como são disponibilizados. As mudanças de relação entre o leitor e o material escrito determinadas pela tecnologia alteram também o próprio modo de significação – antes do códice, por exemplo, era impossível ler e escrever num mesmo momento porque as duas mãos estavam ocupadas em segurar e mover o rolo.

As formas de apresentação do texto interferem no sentido

“Chartier compreendeu que um texto não é uma simples abstração e que ele só existe graças à maneira como é transmitido”, afirma Mary Del Priore. O pesquisador francês costuma combater a ideia do material escrito como um objeto fixo, impossível de ser modificado e alterado pelas pessoas que o utilizam e interagem com ele. As novas tecnologias lhe dão razão – a leitura na internet costuma ser descontínua e fragmentária, e o leitor raramente percebe o sentido do todo e da contiguidade, que, por exemplo, o simples manuseio de um jornal já gera.

Essa diferença fundamental, que torna a leitura dos livros mais profunda e duradoura, faz com que ele preveja a sobrevivência do formato impresso, apesar da disseminação dos meios eletrônicos. “O trabalho que fazemos como historiadores do livro é mostrar que o sentido de um texto depende também da forma material como ele se apresentou a seus leitores originais e por seu autor”, diz Chartier. “Por meio dela, podemos compreender como e por que foi editado, a maneira como foi manuseado, lido e interpretado por aqueles de seu tempo.” O suporte, portanto, influencia o sentido do texto construído pelo leitor.

Ele gosta de enfatizar duas outras mudanças importantes nos padrões predominantes de leitura. A primeira: feita em voz alta à frente de plateias, foi para a silenciosa na Idade Média. A segunda: da leitura intensiva para a extensiva, no século 18 – quando os hábitos de retorno sistemático às mesmas e poucas obras escolhidas como essenciais foram substituídos por uma relação mais informativa e ampla com o material escrito.

Os caminhos de Chartier

Por uma história cultural dos indivíduos

 

Roger Chartier pertence à geração de historiadores que rompeu, nos anos 1980, com a tradição hegemônica francesa, constituída desde 1929 por nomes como March Bloch (1886-1944) em torno da revista Annales d’Histoire Économique et Sociale. Mesmo assim, ele concorda com postulados básicos dos antecessores, como a multiplicação das fontes de pesquisa. Para ele, o trabalho com fontes primárias é fundamental.Por outro lado, sua trajetória se forjou sob o impacto da obra do filósofo francês Michel Foucault (1926-1984), que, segundo Mary Del Priore, “recusa uma história ‘global'”. Nasceu assim a Nova História Cultural, que se preocupa com a singularidade dos objetos. “Para Chartier, o movimento representa o estudo não das continuidades, como para a primeira geração dos Annales, que analisava os fenômenos em sua longa duração, mas das diferenças e descontinuidades”, explica ela.

Biografia

Intelectual de grande influência no Brasil

Roger Chartier nasceu em 1945, em Lyon, a terceira cidade da França, filho de uma família operária. Formou-se professor e historiador simultaneamente pela Escola Normal Superior de Saint Cloud, nos arredores de Paris, e pela Universidade Sorbonne, na capital francesa. Em 1978, tornou-se mestre conferencista da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e, depois, diretor de pesquisas da instituição. Em 2006, foi nomeado professor-titular de Escrita e Cultura da Europa Moderna do Collège de France. É membro do Centro de Estudos Europeus da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e recebeu o título de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras do governo francês. Também leciona na Universidade da Pensilvânia, nos EUA, e viaja pelo mundo proferindo palestras. Veio várias vezes ao Brasil, onde é, depois do antropólogo Claude Lévi Strauss, o intelectual francês contemporâneo que mais influencia estudantes de ciências humanas.

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA

Formas e Sentido – Cultura Escrita: Entre Distinção e Apropriação, Roger Chartier, 168 págs., Ed. Mercado de Letras, tel. (19) 3241-7514, 24 reais
Inscrever & Apagar, Roger Chartier, 336 págs., Ed. Unesp, tel. (11) 3242-7171, 37 reais.
Leituras e Leitores na França do Antigo Regime, Roger Chartier, 395 págs., Ed. Unesp, 46 reais.
Práticas da Leitura, Roger Chartier, 268 págs., Ed. Estação Liberdade, tel. (11) 3661-2881 (edição esgotada) .

Disponível em: http://revistaescola.abril.uol.com.br/lingua-portuguesa/fundamentos/especialista-historia-leitura-427323.shtml

Vale mais que um trocado

Filed under: Cidadania,Educação,Leitura,Literatura,Livros — jspimenta @ 7:39

Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi.

Rodrigo Ratier

“Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?” Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão. A ideia surgiu de uma combinação com os colegas de NOVA ESCOLA: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse – e conferiria as reações.

Para começar, acomodei 45 obras variadas – do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier – em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais.

Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor*, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:

– Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro – “Esse do castelo, que deve ser de mistério” – para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela*, 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a 1 real uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da avenida Tiradentes, no centro. Fiz a pergunta de sempre. E ela respondeu:

– Hum, depende do livro. Tem algum de literatura?, provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico*, 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro:

– Sabe ler?, perguntei.

– Não…, disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta:

– Sim. Sei, sim.

– Em que ano você está?

– Na 4ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos?, indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.

Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura. Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro…

– Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria*. Carregava a pequena Vitória*, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria. 

*os nomes foram trocados para preservar os personagens.

Disponível em: http://revistaescola.abril.uol.com.br/gestao-escolar/diretor/vale-mais-trocado-432764.shtml

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