E d u c A ç ã o

16/05/2009

Padrão linguístico uniforme é pura ilusão!

Filed under: Cultura Brasileira,Linguística — jspimenta @ 8:07

Suelen Érica Costa da Silva*

Pretendo estabelecer aqui um diálogo com os profissionais da educação, procurando compreender como se criou a ilusão de que é possível existir um padrão linguístico uniforme e o que essa concepção ocasiona para o ensino de Língua Portuguesa nas escolas.

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Posso começar a dizer que a ilusão da existência de um padrão linguístico uniforme nasce e é difundida através da ideologia das gramáticas normativas brasileiras e por seus escritores que ainda se apegam à ilusão da “língua única”, considerando que os modelos gramaticais são infalíveis, apresentando a língua padrão como sendo, na verdade, a Língua Portuguesa.

Tal equívoco entre língua e gramática preocupa-me, pois dá origem ao preconceito linguístico, criando o rótulo de que toda e qualquer variedade da língua associada à diferença ética, regional, de classe social que se afasta do padrão linguístico imposto pelas gramáticas normativas é “feia”, “errada”, “corrompida”.

Corrompida e incorreta é, na verdade, a escola que se fundamenta na ideologia de um padrão linguístico uniforme, supondo que ensina língua, mas comete, na verdade, um grande equívoco pedagógico, pois língua não são normas e regras gramaticais, um produto pronto e acabado, cristalizado.

Penso que abolir o mito da existência de um padrão linguístico uniforme é propiciar um ensino de língua que mostre aos educando que nossa língua possui variedades, mas ainda existem profissionais que querem contribuir para a proliferação do preconceito linguístico, adotando uma pedagogia que considera a língua como um sistema de regras, reforçando concepções que o aluno possui a respeito do português: “é difícil”, “não sou capaz de aprender”.

Ao ensinar somente gramática normativa, a escola tenta destruir a essência de toda e qualquer língua: a sua capacidade de mudança, variação, modificação no tempo, no espaço e de acordo com a situação comunicativa.

Abolir a existência de um padrão linguístico uniforme no ensino de Língua Portuguesa é libertar a escola e seus profissionais, principalmente os professores de Língua Portuguesa, do mito da língua única, reconhecendo que a língua é viva, portanto dinâmica, variável, um elástico.

*Professora substituta de Redação e Língua Portuguesa do Centro de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET / Unidade Araxá. Aluna do curso de Especialização em Língua Portuguesa: Leitura e Produção de Textos da Universidade Federal de Minas Gerais.

Disponível em: http://www.jornal.editoradimensao.com.br/11a_ed/palavra.html

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