E d u c A ç ã o

08/08/2009

Um giro pela astronomia moderna: o céu de diversas culturas

Filed under: Cultura,Etnoastronomia — jspimenta @ 23:07

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Sabia que astrônomos estudam os conhecimentos de povos antigos e atuais sobre os astros?

Não só o futuro nos reserva descobertas; o passado, também!

Há milênios, o ser humano observa o céu. Hoje, alguns astrônomos se dedicam a pesquisar o que restou daquilo que os povos que viveram há muito tempo construíram e escreveram a respeito dessas observações.

Em algumas das antigas cidades em que esses povos moravam, resistem construções e monumentos que indicam certas posições onde os astros (Sol, Lua, planetas e estrelas muito brilhantes) nascem ou se põem no horizonte. Muitos destes monumentos apontam, por exemplo, a posição onde o Sol se põe em datas especiais que marcam o início das estações do ano. Esta era uma forma de se organizar um calendário para as épocas de plantio dos alimentos ou para as festas religiosas.

O estudo sobre o que os povos, ao longo da história e da pré-história, apreenderam dos fenômenos celestes, como utilizaram esses fenômenos e que papel tiveram em suas culturas se chama Arqueoastronomia. O termo Etnoastronomia (ou Astronomia Cultural) se aplica ao estudo dos saberes celestes relacionados aos povos existentes atualmente, como é o caso dos povos indígenas brasileiros.

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09/06/2009

Astronomia indígena prevê ocorrência da pororoca

Filed under: Índios,Cultura,Cultura Brasileira,Etnoastronomia — jspimenta @ 20:13

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JC e-mail 3779, de 09 de Junho de 2009.

Índios brasileiros sabiam da influência da lua sobre as marés muito antes de Galileu e Newton. Assunto será abordado na 61ª Reunião Anual da SBPC, em Manaus, no próximo mês de julho.

Ao observarem atentamente o céu quando as águas dos mares e rios se agitavam, os indígenas brasileiros fizeram uma descoberta que Galileu Galilei ignorou e Isaac Newton chegou à mesma conclusão somente quase um século depois: que a lua é a principal causadora das marés.

E que a pororoca, o fenômeno provocado por elas, em que as águas bravias do mar se chocam violentamente contra as de rios, como do Amazonas, dando origem a grandes ondas, ocorre próxima às fases da lua nova e cheia, conforme hoje se sabe e eles já descreviam em seus antigos mitos.

Em 1632, Galileu Galilei publicou o livro “Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo: ptolomaico e copernicano”, em que afirma que a principal causa das marés seriam os dois movimentos circulares da Terra: o de rotação em torno de seu eixo, que ocorre todos os dias, e o de translação em torno do sol, que acontece anualmente, desconsiderando a influência da Lua. Somente em 1687, Isaac Newton demonstrou que a causa das marés é a atração gravitacional do sol e, principalmente, da lua sobre a superfície da Terra.

Mas, antes da publicação da obra de Newton, em 1614, o missionário capuchinho francês Claude d’Abbeville publicou em Paris o livro ““Histoire de la mission de pères capucins en l’Isle de Maragnan et terres circonvoisines”. Na publicação, d’Abbeville narra suas observações do convívio por quatro meses com índios tupinambás, da família dos tupi-guarani, no Maranhão, localizados perto da Linha do Equador.

Uma das anotações do missionário francês diz que “os tupinambás atribuem à lua o fluxo e o refluxo do mar e distinguem muito bem as duas marés cheias que se verificam na lua cheia e na lua nova ou poucos dias depois”. O que confirma o conhecimento por esses povos da relação entre as marés e as fases da lua muito antes das teorias de Galileu e de Newton.

“Todas as civilizações antigas, antes de terem escrituras e se tornarem de nômades a sedentários, liam os astros para construírem calendário e buscarem orientações para regular suas vidas”, aponta o autor da descoberta, o astrônomo Germano Bruno Afonso, professor visitante do CNPq na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS). O especialista abordará esse assunto em uma conferência que fará na 61ª Reunião Anual da SBPC, que acontece de 12 a 17 de julho, em Manaus (AM).

Descobertas – No final da década de 70, Afonso fez seu doutorado na França, onde teve acesso ao livro de d’Abbeville, em que o capuchinho francês menciona alguns nomes de constelações em tupi, tais como, “curuçá” (cruzeiro do sul), “seichu” (plêiades), “tuibaé” (velho) e “nhandutim” (ema). Ao analisá-los mais detidamente, constatou que as constelações tinham correspondentes em guarani, hoje, embora estejam separadas pela distância – em mais de três mil quilômetros – e pelo tempo, em cerca de quatrocentos anos. Baseado nessa descoberta, começou a estudá-las em todas as regiões do Brasil.

“Em outros países, essa disciplina, a etnoastronomia, é muito estudada. Já se sabe muito sobre os incas, maias e navajos, por exemplo. Mas sobre os índios brasileiros, não se conhece nada. Só é possível ampliar o conhecimento sobre eles em trabalhos de campo, porque não existe nada nas bibliotecas”, avalia o especialista, que fez outra grande descoberta ao justamente se embrenhar em um desses trabalhos de campo.

Em 1991, arqueólogos acharam às margens do Rio Iguaçu, no Paraná, onde estava sendo construída uma hidrelétrica, um material arqueológico que não conseguiram entender seu significado. Ao estudar a rocha vertical, o pesquisador identificou que se tratava de um instrumento de observação solar, conhecido como “gnômon”. “Ele tinha quatro faces talhadas para os pontos cardeais. Fui falar com os guaranis daquela região, para ver se aquilo tinha sentido para eles, e percebi que havia. Depois, encontrei instrumentos semelhantes a ele em diversos outros locais do Brasil”, conta.

De acordo com o pesquisador, um dos principais objetivos práticos da astronomia indígena era sua utilização na agricultura. Por meio da observação da lua, eles sabiam, por exemplo, que há uma maior incidência de mosquitos na lua cheia do que na lua nova. O que poderia ser útil para os órgãos de saúde no Brasil combaterem hoje o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, determinando qual o melhor período para promover ações de dedetização.

A palestra do astrônomo Germano Bruno Afonso será realizada no dia 17 de julho, às 10h30, no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A Reunião Anual, cujo tema é “Amazônia: Ciência e Cultura”, contará com 175 atividades, entre conferências, simpósios, mesas-redondas, grupos de trabalho, encontros e sessões especiais, além de apresentação de trabalhos científicos e minicursos.

Veja a programação em http://www.sbpcnet.org.br/manaus
(Assessoria de Imprensa da SBPC).

Disponível em: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63966

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