E d u c A ç ã o

09/07/2009

Veja esta charge e leia o texto final…

Filed under: Ética,Cidadania,Educação,Educação no Século XXI — jspimenta @ 23:02

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Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

“Todo mundo ‘pensando’ em deixar um planeta melhor para nossos filhos…

Quando é que ‘pensarão’ em deixar filhos melhores para o nosso planeta?”

Passe adiante!
Precisamos começar JÁ!

Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive… o papel da escola é passar o conhecimento e não a educação.

11/05/2009

“Escola só olha o próprio umbigo”

JC e-mail 3758, de 11 de Maio de 2009.

aulasInstituições se preocupam demais com o programa e de menos com o aluno real na sala de aula

Flávia Tavares escreve para “O Estado de SP”:

Quando as deficiências do ensino médio são apresentadas à sociedade pelos fracos resultados do Enem, uma sensação de que há um imenso descompasso entre alunos, professores, governos e pais parece inevitável. São os jovens que estão desinteressados, é o mestre que está desmotivado, o governo que investe pouco ou os pais que estão alheios à vida escolar dos filhos?

A resposta da equação é uma mistura desses fatores. Mas para o pedagogo Lino de Macedo, professor titular de Psicologia do Desenvolvimento da USP e membro da Academia Paulista de Psicologia, o desencontro acontece mesmo entre as instituições de ensino e o aluno no ambiente escolar. “A escola está voltada para o próprio umbigo, não olha para o aluno real, que está na sala de aula, e não tenta compreendê-lo”, explica.

Para promover esse encontro – desejado por todos, mas alcançado por poucos -, Macedo, que foi um dos cinco formuladores do Enem, acredita que aproximar o conteúdo programático do cotidiano do jovem é uma das soluções possíveis.

“Os adolescentes nunca escreveram tanto, na internet principalmente, mas nunca escreveram tão mal”, sublinha o educador, que é autor de Ensaios Pedagógicos – Como Construir uma Escola para Todos? (Artmed), entre outros. Essa disposição em entender garotos e garotas parte de professores preparados e integrados à ideia da interdisciplinaridade, que, infelizmente, são minoria. “Nesse sentido, iniciativas como a de divisão das disciplinas em grandes áreas e a de oferecer uma escola para professores talvez não sejam suficientes. Mas são um caminho.”

O entroncamento

“O ensino médio é o primo pobre da educação no Brasil. Pensemos na divisão do ensino: temos a escola básica, que é formada pela infantil, pela fundamental e pelo ensino médio, e temos a graduação e a pós. De todas, a que mais se malha é o ensino médio, que é um entroncamento de três funções importantes. Uma delas é a de abrir as portas do mundo do trabalho para o aluno. O jovem tem consciência de que ter o diploma e dominar o conteúdo é condição mínima para ele ter um emprego. A outra função é preparar para a faculdade. E a terceira é completar a educação básica e, nesse sentido, o ensino médio é uma escola terminal, porque conclui um ciclo. Para a maioria dos jovens, essa vai ser a última etapa da escolaridade. Quando analisamos como eles estão se despedindo da vida escolar, os resultados são muito negativos.

Cobranças mútuas

“Invertendo a lógica, pensando do ponto de vista do ensino médio, pode-se perguntar às escolas que o antecederam: por que vocês não ofereceram um aluno mais preparado? Pode-se perguntar às universidades: o que vocês fazem com o aluno real que chega aí? A universidade tem um perfil de aluno ideal fora da realidade – seja da escola pública ou privada. Elas não trabalham com o aluno concreto que está na sala de aula, mas com uma representação do aluno.

Aula de decepção

“Os pais levam a criança para a educação infantil cheios de esperança, de expectativas da vida que ela vai ter. Na escola fundamental, já aparecem problemas, mas ainda existe um caráter de preparação, de aspiração. Quem sabe o aluno do ensino médio não está apenas denunciando a decepção com um sistema de ensino em que ele depositou suas maiores esperanças? Todo mundo só vê o que o aluno não tem, não faz, não dá conta e o que ele consegue fazer é pouco valorizado. Sempre foi e está cada vez mais difícil ser adolescente. Dele são exigidas coisas de adulto, para as quais ele não tem interesse nem repertório – ele está preocupado com sua inclusão em grupos, sua iniciação sexual, seus sonhos. Então, os adolescentes têm muitas decepções com essa escola que não olha para ele, que não é feita para ele, não é pensada com ele.

Continuar ou não?

“A opção de continuar estudando não é simples. O jovem tem de escolher uma carreira que ele deseja e seja possível. É comum ver um fisioterapeuta que queria ser médico, por exemplo, mas não teve condições. Agora, um taxista não precisa de universidade. Talvez ele precise de um bom curso de línguas, saber ler jornal com entendimento, e ele tem de ter recebido uma boa educação básica. Mas a maior parte das profissões não pede faculdade, porque a graduação é feita para certas ocupações cuja complexidade exige uma formação que a educação básica não dá. Posso ser um bom caixa de supermercado, que é uma ocupação útil na sociedade, sem ser graduado. As pessoas gastam um dinheiro enorme, que muitas vezes nem têm, para fazer um curso fraco. Essa decisão vai desembocar em mais uma decepção.

Competências e habilidades

“A educação básica tem de desenvolver competências e habilidades nos alunos. Os conteúdos disciplinares são esquecidos meses depois do vestibular. O que sobra da educação básica é o que o sujeito aprendeu como disciplina no sentido de habilidade e competência para fazer o melhor possível em determinada situação, saber tomar decisões. É importante que o jovem saiba demonstrar um teorema, argumentar, ler uma fórmula, fazer um cálculo mais sofisticado, ler e interpretar um texto, trabalhar com escalas, grandezas, etc. De certa forma, pensar por áreas de conhecimento – exatas, humanas, biológicas – como na proposta do MEC é sair do conteúdo disciplinar e entrar nos raciocínios, nos modos de pensar. Só que os professores não estão preparados para essa complexidade.

Vida de professor

“De todos os professores, os do ensino médio são os mais sacrificados. Para ter um salário razoável, ele precisa dar muitas aulas e chega a ensinar 600 alunos, não consegue nem como saber o nome deles. Ele não dá aula, dá palestras. Por isso, as áreas de conhecimento podem facilitar seu trabalho, para que eles tenham menos alunos. Mas, se o conteúdo disciplinar já é mal dominado por muitos, imagine as áreas… É necessária uma visão de interdisciplinar. Esse raciocínio já existe em algumas escolas, quando se trabalha com projetos. Quando uma turma elabora um jornalzinho, por exemplo, tem de pensar em texto, economia, biologia, etc.

Divergência de interesses

“Os protagonistas da educação têm interesses diversos. O adolescente vive uma problemática psicológica de atravessar um período turbulento, que é ao mesmo tempo a época em que mais se sonha e mais se quebra a cara. Do ponto de vista cognitivo, ser adolescente é ter uma estrutura mental que permite compreender coisas mais complexas do que o da criança. Do ponto de vista físico, a pessoa se torna adulta, com todas as implicações disso. Já o interesse da escola é ensinar conteúdos, disciplinas, e formar alunos que se saiam bem no Enem. O governo foca em preocupações econômicas e políticas. Por fim, a família cria muita expectativa sobre esse jovem, muitas exigências. A questão é como coordenar esses diferentes interesses.

O custo da educação

“Muitos professores são realmente fracos de conteúdo. Nesse sentido, acho positiva a iniciativa do governo de criar uma escola de professores. Não que isso seja suficiente, mas é um caminho. Diz-se que o Brasil gasta muito com educação, mas não é assim. O Chile gasta bem mais. Mas o problema econômico da educação é o seguinte: o Estado gasta muito e os professores ganham pouco. Isso acontece porque são muitos funcionários, contratados e temporários. Na escola particular, 5% dos professores faltam às aulas. Na pública, são 40%. Então, o governo precisa contratar três professores para ter um na sala de aula. Eles faltam por mil motivos, alguns razoáveis. Mas o sistema não aguenta sustentar isso.

Encontros e desencontros

“A sociedade de hoje é a sociedade do conhecimento e da tecnologia. Há coisas que o jovem quer aprender e para as quais não precisa de professor, pode recorrer ao computador. Mas há coisas que ele só aprende na escola. Veja, o jovem nunca escreveu tanto como hoje, no MSN, no Orkut, no Twitter, mas nunca escreveu tão mal. A escrita dos jovens na internet é completamente desvinculada daquela que a escola valoriza. Esse é um dos desencontros. Outro exemplo: o adolescente se interessa imensamente pela biologia do corpo humano, claro, mas não aquela dada pelo professor na aula da manhã. Os jovens querem aprender temas que dialoguem com seu cotidiano. A escola está muito voltada para o próprio umbigo. Ela só se preocupa com aquilo que precisa ser ensinado, com o conteúdo programático, fica centrada nas exigências que ela mesma faz e está pouco articulada com os recursos cognitivos e socioafetivos do aluno.

O aluno é exigente

“Para falar a língua do aluno, a escola não precisa baixar o nível. Aliás, os jovens não gostam que o nível caia, não gostam de professor fraco. Eles sonham com uma profissão melhor ou tão boa quanto a dos pais – e isso é aflitivo para eles, inclusive. Então, um professor que manje bem da matéria, tenha autoridade, saiba falar, estabeleça contato e sintonia com o adolescente é respeitado e reconhecido. O professor fraco e pouco motivado é tripudiado. O aluno fraco gosta e precisa de um professor forte e sabe reconhecê-lo. A não ser aquele aluno que já entrou malandro no sistema, querendo só o diploma. Mas isso é uma ilusão, diploma não basta a ninguém. Outra figura que é menosprezada, mas é fundamental, é o diretor. Escolas que têm um diretor motivado têm desempenho muito superior àquelas em que o diretor é fraco e ausente.

Resistência às mudanças

“Uma boa parte dos professores são mulheres. E elas são pessoas sérias, comprometidas, mas estão sobrecarregadas, porque têm a tal dupla jornada: dão aula e cuidam da casa. Isso quando a jornada não é tripla, porque muitas dão aula em escolas diferentes. Pois bem, com uma carga dessas, se vier uma reforma que exija mais dedicação, mais tempo na escola, certamente haverá resistência.

Os valores no tempo

“O currículo precisa ter um olho nas disciplinas e outro na vida. E responder ao aluno a pergunta: o que vale a pena aprender na escola? Vale aprender coisas que têm valor passado e futuro. Por exemplo, ler e escrever, argumentar, ordenar, categorizar, relacionar, cuidar da saúde, tudo isso tem valor há milhares de anos. E continuará sendo bom por mais tantos milênios, mesmo que a forma de fazer isso mude. A escola está comprometida com o passado e o futuro da sociedade, mas num presente que faça sentido para o aluno. O problema está aí. A escola se preocupa com o passado e o futuro e esquece o presente. Olha e não enxerga o aluno.

Concorrência saudável

“Os críticos dizem que o Enem é um sistema de avaliação externa, que põe todos no mesmo saco. De fato, realidades diferentes são avaliadas pela mesma prova. Mas a prova é externa à escola, mas é interna ao sistema educacional do Brasil. A vantagem da avaliação externa é que ela apresenta indicadores do sucesso ou do fracasso do sistema. Graças a essas avaliações, os Estados têm investido mais, porque ninguém gosta de aparecer mal na fita. Uma cidade rica cujas escolas vão mal no Enem tende a se mexer para melhorar as notas. Cria-se uma concorrência saudável.

A tríade fundamental

“Na sala de aula, há um triângulo fundamental. Num vértice, estão os processos de ensino; no outro, os processos de aprendizagem; no último, os processos de conhecimento, que têm a ver com o domínio das disciplinas, dos métodos. Se eu penso na relação entre ensino e conhecimento, tenho o professor dando aula e seu processo didático. Aqui, a pergunta é como incluir a aprendizagem do aluno. Na relação entre ensino e aprendizagem, há a problemática do relacionamento entre professor e aluno. A pergunta é como incluir aqui o conhecimento. Entre a aprendizagem e o conhecimento, está o aluno se tornando emancipado, aprendendo o conteúdo. Como incluir o professor nesse processo é a questão nessa aresta. O que tem acontecido nesse triângulo? O conteúdo tornou-se pesado e complexo; o ensino é precário, pela falta de condições dos professores; e o aluno é mal preparado. Equilibrar essa tríade é a saída.

Violência intramuros

“Não é que os alunos, os professores, os diretores sejam violentos. A sociedade é violenta. E na escola isso também se apresenta. A escola, seja pública ou privada, é um grande centro de relações humanas, com tudo que isso tem de lindo e de feio. Ela é um grande espaço sociocultural. A sala de aula pode não ser interessante, mas a escola é quase como um clube. É onde eu faço amigos, arrumo namorada, bato papo, mostro minha barriga sarada. Rola de tudo na escola, mais do que em qualquer shopping center. Os casos de violência que devem ser vistos com atenção são aqueles em que o aluno só é violento na escola. Agora, o professor tem de incorporar o tema violência ao currículo. O tempo que ele gasta falando de respeito, de cidadania, de disciplina tem de ser considerado ensino. Não pode ser visto como perda de tempo. Tem de ser validado.
(O Estado de SP, 10/5).

Disponível em: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63341

Novas tecnologias proporcionam ambiente colaborativo na escola

Após aproximadamente dois anos de trabalho, o Núcleo de Informática Aplicada à Educação (Nied), da Unicamp, fez um balanço das atividades desenvolvidas pelo projeto TIME (Tecnologia e Mídias Interativas na Escola), no qual dá pistas de como diminuir a distância criada pelas novas tecnologias, que parece afastar professores e alunos dentro da sala de aula. O projeto beneficia atualmente 1.300 alunos da rede pública de Hortolândia (SP), além dos professores e pais de alunos que também participam da interação com as salas multimídias instaladas em duas escolas municipais de ensino fundamental: Fernanda Graziella Resende Covre e Parque dos Pinheiros, ambas na periferia da cidade.

O projeto, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e em parceria com a prefeitura local, apostou na montagem de laboratórios de multimídia e na capacitação teórica e técnica de professores. O resultado é a aproximação de professores, alunos e comunidade – através da figura dos pais e familiares dos alunos – no desenvolvimento de trabalhos colaborativos e de inclusão digital.

“Eu tinha pavor de qualquer coisa tecnológica”, desabafa Silvana Paula de Souza, uma das professoras mais antigas do projeto. “Acabei aprendendo junto com os alunos”, completa. Para participar do projeto TIME, cada professor escreve um sub-projeto para desenvolver em sala de aula. Silvana, professora da escola Fernanda Covre, confessa que o primeiro sub-projeto que escreveu teve grande influência de sua formação em psico-pedagogia. Ao chegar em sala de aula, percebeu que a realidade dos alunos pedia outras ações que envolvessem a participação dela como facilitadora na construção de outros sentidos para as tecnologias, de uma aproximação mais humanizada com a informática e os equipamentos disponíveis. Não teve medo, rasgou o sub-projeto original e escreveu outro.

“Cheguei em uma classe com a auto-estima muito baixa e resolvi ampliar o projeto para poder me apropriar de outras ações, como teatro e fotografia, para poder desenvolver ações que permitissem aos alunos se auto-conhecerem e valorizarem suas produções”, diz a professora. Um dos primeiros exercícios que propôs foi pedir aos alunos se descreverem, e a primeira ferramenta usada no laboratório foi um editor de textos. Rapidamente, ela observou que os alunos que já sabiam usar o computador – mais da metade da classe – ou aqueles que descobriam novas funções no software se organizavam e repassavam a informação para os colegas. A professora admitiu sua dificuldade com o uso de determinados equipamentos e acabou estimulando os alunos a fazerem dela uma companheira de aprendizado.

Graças aos exercícios no editor de texto os alunos também começaram a desenvolver a prática da leitura e algumas dificuldades de alfabetização também foram deixadas para trás. Em um dos exercícios mais recentes, os alunos formaram duplas e ensinaram colegas de outras classes a fazer desenhos simples usando o software Paint. Um detalhe importante é o fato de Silvana dar aula para alunos da 2ª série do ensino básico, ou seja, crianças entre 6 e 7 anos que se auto-organizaram em um ambiente colaborativo de aprendizado, que inclui a professora como companheira e não como autoridade inflexível, e que veem sua produção se desdobrar através das mídias disponíveis no laboratório. “Começamos com produção de texto, pesquisamos informações na internet, produzimos fotografia com a máquina digital, fizemos uma história em quadrinhos usando o Paint, e agora estamos gravando um programa de rádioweb”, conta.

A mesma tática vem sendo usada por Rute Camargo, da escola Parque dos Pinheiros, uma das professoras mais novas no projeto, ao qual está integrada desde o semestre passado. Ela admite que, antes do ingresso no projeto TIME, estava na confortável posição de acomodação diante das novas tecnologias. “Eu sabia mexer com a máquina digital e fazer vídeos, mas muito pouco”, confessa. Motivada pelo fato de o projeto contar com bolsas-auxílio para o desenvolvimento dos sub-projetos, Camargo também viu uma classe com problemas de disciplina e alfabetização se organizar para nivelar os conhecimentos adquiridos ou trazidos anteriormente, além de os alunos tirarem dúvidas trazidas pela própria professora quanto à utilização de algumas funções dos equipamentos ou softwares.

“Eu tinha até mesmo medo de tocar nos equipamentos. A sala de multimídia, pra mim, era uma atividade extra-classe, que não se integrava com outras atividades”, conta. Essa distância dos alunos – também chamada de gap de geração -, que ainda é sentida por vários professores que não fazem parte do projeto, fazia com que, ao adentrar na sala multimídia, os alunos tomassem a dianteira nas atividades, tornando a sala difícil de gerenciar. “Eu tinha medo da bagunça que eles podiam fazer na sala multimídia, porque os alunos acabavam dominando a dinâmica”, afirma. Agora, professora e alunos trocam idéias. As obras a serem trabalhadas são escolhidas em conjunto e as atividades dentro da sala multimídia têm como objetivo o desenvolvimento das produções.

“Temos até um ‘combinado’ entre a gente: se eles acabarem as atividades propostas antes do tempo, podem usar os minutos finais da aula para jogos. Mas eles pedem autorização e a palavra final é minha”, completa. Além da sua mudança de comportamento em relação à informática e às tecnologias, Camargo também faz questão de apontar que o projeto estimula os professores a produzirem reflexões teóricas sobre o processo. “Acabei escrevendo um artigo para uma revista que circula na cidade e também submeti um resumo de artigo para a próxima reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)”, revela.

Esse estímulo à produção científica dos professores é um dos diferencias do projeto TIME, aproximando o professor do ensino fundamental e a universidade, trazendo dados que ajudem a analisar a atual situação da integração entre práticas pedagógicas e a informática. “O projeto prevê o desenvolvimento de atividades tanto dentro quanto fora da sala de aula, a partir de pesquisas dos alunos e seus professores, que conduzam a uma reflexão sobre os problemas da realidade, articulados aos impactos da tecnologia de informação e comunicação, e principalmente, no que se refere às suas implicações na prática pedagógica”, aponta João Vilhete D’Abreu, pesquisador do Nied e coordenador do projeto.

Outro ponto observado durante esses quase dois anos de projeto TIME foi o interesse de alguns pais nas atividades propostas nas escolas, a ponto de alguns deles pedirem para participar das aulas. “Temos que estar atentos ao efeito multiplicador desse tipo de experiência e, nesse caso, os fato de os alunos trazerem os pais para a experiência com novas mídias é o efeito direto desse processo. Além disso, contribuímos para a diminuição do isolamento que afeta as atuais gerações e as gerações de seus pais. Tudo isso faz parte do processo de fortalecimento do ensino público, que é a tônica desse projeto”, finaliza Vilhete.

Para saber mais:

 

-  blog do projeto
-  blog de uma das professoras

Disponível em: http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=3&noticia=533

20/04/2009

Educação indígena ainda não atende direitos constitucionais

JC e-mail 3745, de 20 de Abril de 2009.

1ª Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena acontece em setembro

A Constituição de 1988 garantiu aos povos indígenas uma educação escolar diferenciada, que respeitasse a cultura e os saberes tradicionais de cada etnia. Mas 20 anos depois, escolas sem infra-estrutura, materiais didáticos inadequados e a falta de professores especializados ainda são problemas comuns nas escolas indígenas.

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Em setembro, cerca de 600 representantes dessas comunidades e dos governos federal, estaduais e municipais irão se reunir em Brasília para a 1ª Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena. A idéia é discutir qual é o modelo de educação adequado para esses povos.

“A educação diferenciada significa que eles têm o direito de utilizar a língua materna nas escolas e introduzir no ambiente escolar seus conhecimentos, práticas e saberes. Em termos de legislação, no plano da educação indígena,o Brasil é bastante avançado, o que precisa é sair do plano ideal e ser de fato implementada”, avalia o secretário executivo do Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena (Iepé), Luis Donisete Grupioni.

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Para o especialista, as secretarias de Educação ainda têm “enorme resistência” em aceitar calendários diferenciados propostos pelas comunidades. “A legislação garante que se uma comunidade realiza um grande ritual ou há épocas em que boa parte dos seus membros saem para caçar, a escola teria que se adaptar às atividades cotidianas desses grupos”, explica.

Susana Grillo, da coordenação de Educação Indígena do Ministério da Educação, afirma que é preciso garantir a autonomia pedagógica das escolas indígenas. “Envolve a questão da proposta curricular, da organização da escola, da formação do professor e efetivar esse protagonismo das lideranças, pais e mães a formular esse projeto político ainda é um desafio. Porque a tradição da nossa educação é de propor padrões muito homogeneizantes, sem considerar as diversidades ”, defende.

Desde dezembro passado o MEC está realizando conferências regionais que vão orientar o debate nacional em setembro. Cinco encontros já foram realizados e mais 13 estão programados até agosto. Para Grupioni, um dos maiores desafios é conseguir formar membros das comunidades para que eles possam assumir as salas de aula e a gestão das escolas indígenas. A prática do ensino bilíngue, ou seja, no português e na língua de cada etnia, ainda não é uma prática nesses espaços.

“Para isso seriam necessários materiais didáticos para que essa língua apareça e possa ser estuda. Essa produção ainda é muito deficiente. Existe em pequenas quantidades e não atinge o conjunto dos grupos”, aponta.

A infra-estrutura das escolas também é um fator que dificulta a aprendizagem. Segundo o especialista, muitas escolas funcionam de forma improvisada na casa de professores, sem bibliotecas ou equipamentos.

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases, a educação indígena deve ser orientada pelo Ministério da Educação e orientada pelas secretarias estaduais e municipais. Para Grupioni, a descontinuidade das políticas que mudam a cada governo dificulta a consolidação do processo. “A cada troca do governo você começa os programas novamente, a rotatividade dos técnicos é muito grande. No Brasil a gente não tem uma cultura de acumular experiência de uma gestão para outra”, diz.

O investimento na formação dos técnicos que serão responsáveis pela aplicação das políticas públicas é fator-chave na opinião de Susana. “Você tem que qualificar os gestores permanentemente para a questão da diversidade no campo da educação”, afirma.

Ela espera que a conferência possa servir como local para apontar os problemas e levantar as soluções. Segundo ela, cerca de 450 lideranças indígenas virão a Brasília para o encontro, além de representantes de instituições responsáveis por executar as políticas públicas.

“Os problemas não são novos e são reincidentes. O desafio da conferência será trazer essas demandas a público e encaminhar soluções. O interessante é que elas estão sendo levantadas lá na base com as pré-conferências. Após a conferência, as demandas levantadas devem seguir de base para que os governos formulem as políticas públicas de educação indígena”, defende Grupioni.
(Amanda Cieglinski, da Agência Brasil).

Disponível em: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=62961

17/04/2009

Quem vai ensinar – e o quê – aos alunos do século XXI?

Filed under: Educação,Educação no Século XXI — jspimenta @ 15:56

Revista Veja 

(Caio Barretto Briso, Kleyson Barbosa, Luís Guilherme Barrucho e Sofia Krause)

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Uma sala de aula com carteiras enfileiradas diante de um quadro negro. Os alunos, calados, prestam atenção no professor. Memorize esta cena: ela está com os dias contados. A entrada das novas tecnologias digitais na sala de aula criou um paradigma na educação: como tais ferramentas, que os alunos, não raro, já dominam, podem ser aproveitadas por professores que, frequentemente, mal as conhecem? As escolas têm, pela frente, um desafio e uma oportunidade. O desafio: formular um projeto pedagógico que contemple as inovações tecnológicas e promova a interatividade dos alunos. A oportunidade: deixar para trás um modelo de ensino que se tornou obsoleto no século XXI.

O novo aluno é o responsável por esta mudança. Por ter nascido em um mundo transformado pelas novas tecnologias, ele exige um professor e uma escola que dialoguem com ele, e não apenas depositem informações em sua cabeça. E mais: ele quer ser surpreendido. Tarefa difícil, pois o jovem estudante de hoje encontrou, na internet, uma fonte de informações nunca antes existente. Livros, almanaques e enciclopédias eram as principais ferramentas de pesquisa até o início da década de 90, quando os computadores começaram a chegar às residências do país. Agora, com um clique, ele pode acessar todas as enciclopédias do mundo. O que muda com isso é, em primeiro lugar, o papel do professor.

“É um momento difícil para o educador, pois o modelo de ensino que ele aprendeu era baseado no poder que ele representava na sala de aula, típico de uma sociedade mais passiva que a de hoje”, diz Andrea Ramal, doutora em Educação pela PUC-Rio e diretora executiva da Instructional Design Projetos Educacionais. Mas o novo aluno, segunda Andrea, é diferente: “Ele quer participar, quer fazer suas próprias escolhas. Os professores têm que se reinventar”. Para ela, o professor não pode mais ser uma figura autoritária: ele precisa ser capaz de aprender com os educandos e de admitir que não tem todas as respostas.

As palavras de Andrea encontram eco fora do Brasil. O americano Marc Prensky, um dos principais consultores educacionais dos Estados Unidos e designer de jogos educativos, afirma ser necessária uma nova relação entre professor e aluno, baseada em uma parceria: “O estudante faz aquilo que tem de melhor (como buscar informações e usar as tecnologias para criar algo novo), e o professor, por sua vez, também faz o seu melhor, que é orientar reflexões, avaliar o comprometimento dos alunos e criar um contexto favorável”. Por “contexto favorável” entenda-se uma nova pedagogia: algo como deixar que os alunos aprendam por seus próprios caminhos, mas com a orientação do professor.

Se o papel do educador está em transformação, as escolas também vivem um período de transição. Elas precisam se adequar não só ao novo aluno, mas também à nova formação de seu corpo docente. “A internet tornou o aluno mais livre. Ele pode aprender em qualquer lugar, a qualquer hora. A escola já sabe disso, mas ainda é muito tradicional, pois resiste à mudança inevitável”, acredita o espanhol José Manuel Moran, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP. Mas para mudar não basta trocar o quadro negro pela lousa digital: é preciso ir além e inovar na forma de ensino, pois, como acredita Moran, a internet e as novas tecnologias são um ponto de partida. Nunca de chegada.

O novo aluno: domínio tecnológico desafia a pedagogia

Imersos num universo rico em equipamentos e ferramentas como Google, iPod, MSN, celular, YouTube, Orkut, Facebook, estudantes reinventam a forma de se informar e gerar conhecimento. Hoje, crianças e jovens têm amigos, em todas as partes do mundo, que encontram a qualquer hora do dia ou da noite na tela do computador. Eles conversam com colegas da classe ao lado por meio de SMS, conhecem pessoas e estudam em comunidades virtuais. Por parecer incrível para os mais velhos, mas não é rara a criança que navega na internet com destreza antes mesmo de saber ler ou escrever. Esse novo mundo permite exemplos que desafiam a pedagogia atual. É o caso das irmãs Alice Godinho, de 5 anos, e sua irmã Isadora, de 7. Juntas, elas formam uma espécie de cooperação digital. Este ano, Alice pediu um notebook de aniversário. “Escolheu um rosa, porque é a cor preferida dela”, conta Carla, mãe das meninas. Alice, que cursa a primeira série em um colégio particular de São Paulo, ainda não está totalmente alfabetizada. “Isso não impede que ela navegue no YouTube, ou entre em sites do colégio para fazer tarefas”, garante Carla, que revela um detalhe curioso: “Já percebi que toda vez que a Isadora pede o notebook emprestado, Alice concorda. Mas ela sempre senta ao lado da irmã, porque já entendeu que observando ela aprende”.

A discussão sobre o “bem e o mal” em passar horas na frente de um computador não existe para esse novo estudante. A maioria já concilia vida virtual e real com equilíbrio. Vitor Marellitut, de 14 anos, garante que não deixa de sair ou ver os amigos pessoalmente em troca do MSN, ou sites de relacionamento. Admite que fica pelo menos quatro horas sentado em frente ao computador todos os dias, mas garante que sabe discernir entre tempo de diversão e aprendizado. “Minha mãe não reclama. Ela sabe que eu jogo, mas também faço pesquisas e estudo”, explica.

Crescimento exponencial do uso da Internet
Resposta estimulada e múlitpla
Perfil: Jovens de 12 a 30 anos, classes ABC. Margem de erro 2%

2005
Orkut – 14%
Compras/comparação de preço – 14%
Mensagens instantâneas – 43%
Download de músicas – 50%
Ouvir músicas – 69%
Blogs pessoais – 12%
Fonte: dossiê universo jovem MTV 2008
2008
Orkut – 83%
Compras/comparação de preço – 40%
Mensagens instantâneas – 81%
Download de músicas – 69%
Ouvir músicas – 73%
Blogs pessoais – 21%

Internet para comunicar, conhecer e se divertir

Resposta estimulada e múltipla
Perfil: Jovem de 12 a 30 anos, classe ABC. Margem de erro 2%

Enviar e receber e-mail – 84%
Visitar página de Orkut e amigos – 83%
Troca de mensagem instantânea – 81%
Fazer pesquisa para escola ou trabalho – 75%
Ouvir música em geral – 73%
Fazer download de músicas – 69%
Fonte: dossiê universo jovem MTV 2008

É comum, que adolescentes como Vitor, tenham a rotina abarrotada de novidades tecnológicas. Assim como é comum também que eles saibam usar essas novidades com habilidade – quase sempre, várias ao mesmo tempo. Navegam na internet, baixam programas de games, enquanto conversam no MSN, ouvem música no iPod ou usam o celular. E, é claro, a capacidade que esses jovens adquiriram de dividir a atenção em várias fontes simultâneas de informação exige uma nova estratégia do professor. O americano Marc Prensky, consultor educacional e designer de jogos educativos, diz que a aparente dispersão do jovem de hoje frente às diversas ferramentas tecnológicas é uma ilusão. “O aluno aprende quando está engajado em determinadas atividades – seja explorando possibilidades de resultado para um problema; em um joguinho de computador; ou simplesmente explorando algo desconhecido. ” Na sala de aula, a história pode ser outra. Com oito anos de experiência em lecionar e ciente desse novo aluno, o professor de geografia Gilberto Soares, do colégio Miguel Cervantes em São Paulo, constata: “São talentosos em fazer várias atividades simultâneas, mas não conseguem ficar focados muito tempo em um determinado assunto”. O acesso à informação também torna o estudante mais crítico. “Há casos em que a gente passa um dado na classe e o aluno checa em casa, para ver se é verdade. É uma espécie de disputa pelo poder”, ressalta Gilberto. Nem tudo, porém, a tecnologia consegue mudar para melhor. A cola – um artifício tão antigo quanto o aprendizado – não deixou de existir. Só adquiriu contornos inusitados. Segundo o professor Soares, já houve casos em que alunos terminaram provas e mandaram mensagem de textos (pelo celular) para os amigos que ainda estão sendo avaliados. “Eles são criativos, já encontrei uma cola inteira digitada dentro de um iPod”.  

A maioria dos professores e especialistas concorda que não é mais possível distanciar o novo aluno dessas modernidades tecnológicas. O desafio é justamente tirar o melhor proveito desses recursos. A lousa digital, por exemplo, já é comum em muitas escolas do país, é uma das coisas mais apreciadas por crianças e jovens. “Esses novos quadros são extremamente visuais”, reconhece Juana Ordonez, professora de ciência naturais do colégio Miguel Cervantes, em São Paulo. “Antes de começar a aula, é necessário calibrar a imagem e fazer alguns testes com o computador. Em geral, os alunos adoram fazer essa calibragem”, diz. “A gente deixa. Afinal, eles entendem disso melhor que nós”. (Caio Barretto Briso, Kleyson Barbosa, Luís Guilherme Barrucho e Sofia Krause). 
 
O papel do professor: guiar o aprendizado
 
A facilidade com que os alunos interagem com a tecnologia também impôs uma mudança de comportamento em sala de aula. Hoje, já não é exclusividade dos mais jovens manter blogs, atualizar perfis em redes sociais ou bater papo com amigos na internet. A geração digital passou a exigir que o professor fizesse o mesmo – e ele está mudando pouco a pouco. Os motivos são claros. Em um mundo onde todos recorrem à rapidez do computador, nenhuma criança aguenta mais ouvir horas de explicações enfadonhas transcritas em uma lousa monocromática. “A tecnologia faz parte do cotidiano de todos os jovens. Os alunos esperam que o professor se utilize disso em sala de aula. Seu papel mudou completamente, mas continua essencial. Ele guia o processo de aprendizagem, sendo o elo entre o aluno e a comunidade científica”, afirma Linda Harasim, professora da Universidade Simon Fraser, em Vancouver, no Canadá.  

O problema é, justamente, adaptar a tecnologia ao conteúdo pedagógico. É consenso entre os especialistas que não basta apenas investir em laboratórios, salas multimídia e projetores de luz. Muitas escolas, mesmo aquelas que gastam rios de dinheiro em equipamentos de última geração, deixam de lado o treinamento dos professores. Sem mudança na metodologia, as novas ferramentas são subtilizadas. “Passamos praticamente uma década do novo milênio e nosso modelo educacional ainda reflete a prática dos séculos XIX e XX. A internet ainda é usada, geralmente, como tampa-buraco ou enfeite nas salas de aula tradicionais” , acrescenta Harasim. O professor de informática Jean Marconi, de Brasília, acompanhou de perto a dificuldade imposta pelos novos recursos tecnológicos. Quando o colégio onde trabalha investiu pela primeira vez em equipamentos digitais, a direção não se preocupou em desenvolver um novo método de ensino nem capacitar os professores. Marconi aproveitou a formação em tecnologia da educação e propôs à escola treinar seus colegas. Hoje, segundo ele, todos já têm contato com as novidades e criam projetos para suas próprias disciplinas. “O colégio tinha a proposta, mas andava a passos lentos. Fui, então, de professor em professor despertando a curiosidade. Consegui que houvesse uma integração entre o conhecimento do educador e a tecnologia. Mas há alguns que ainda têm medo de mexer com essas ferramentas” .

Para a pedagoga Sílvia Fichmann, coordenadora do Laboratório de Investigação de Novos Cenários de Aprendizagem (LINCA) na Escola do Futuro da USP, um dos motivos pelos quais os professores ainda resistem em utilizar a tecnologia é o receio de perder o posto de detentor único de conhecimento. “A internet rompeu com uma série de paradigmas. O professor, hoje, tem de se conscientizar de que não sabe tudo e precisa ser muito mais parceiro do aluno na busca pelo saber”, afirma. Sílvia diz que não é fácil lidar com as novas ferramentas, mas cabe ao educador coordenar e orientar as tarefas. “O problema é que existem três tipos de professor: os que preferem o método tradicional, aqueles que não sabem utilizar a tecnologia e, finalmente, os que se adaptaram ao novo contexto. Eles convivem em uma mesma sala de aula, o que impede a adoção completa da tecnologia”, completa. Lousa interativa – As novas ferramentas nunca preocuparam a professora de Ensino Fundamental Éride Rosseti (na foto ao lado), de São Paulo. Com 32 anos de magistério, a educadora assistiu a passagem do quadro-negro para o magnético e maneja, agora, sem problemas a lousa interativa, que permite salvar as tarefas feitas pelos alunos, além de exibir imagens, músicas e vídeos. Incentivada pelo colégio, ela participa de cursos de capacitação e é usuária da comunidade virtual da escola, na qual posta comentários sobre as aulas e exercícios de fixação. “Com a tecnologia, posso interagir com os alunos em tempo real. É uma forma de eles não se sentirem sozinhos quando estão fazendo a lição em casa. As crianças adoram e o professor tem de cumprir o papel social de abraças as novas tecnologias” , diz.

Criar um blog foi a alternativa encontrada pela professora de ciências carioca Andrea Barreto para incentivar o hábito da leitura entre seus alunos da rede pública. Sem recursos, ela criou um espaço virtual, no qual os jovens podem tirar dúvidas e participar das discussões feitas em sala de aula. “Percebi a necessidade de ensinar dentro desse novo contexto depois que vi o desinteresse dos alunos. Mesmo os alunos mais carentes acessam a internet das lan houses e isso aumentou o rendimento”, observa. Mas a educação high-tech também oferece riscos, sobretudo devido à variedade de informação presente na web. Com a experiência de quem mantém um blog, tem conta no Orkut e usa diariamente o MSN, o professor de química Paulo Marcelo Pontes, de Recife, diz que não há como evitar que um aluno deixe de acessar bate-papo ou qualquer outra ferramenta disponível na rede. “Competir com isso traz mais desestímulo do que satisfação. O professor tem de produzir materiais e conteúdos que façam os estudantes participarem ou se interessarem pelo que está sendo divulgado”, conclui. (Caio Barretto Briso, Kleyson Barbosa, Luís Guilherme Barrucho e Sofia Krause).

O desafio da escola: manter-se indispensável

Diante de um novo aluno e da necessidade de um novo tipo de professor, as escolas atuais encontram um desafio que há muito tempo não se desenhava: manter-se indispensável. Não é uma tarefa fácil, considerando que a escola atual deve não só atender às demandas que surgiram nos últimos anos – e são muitas – como também preparar-se para um futuro próximo de mudanças tão rápidas e intensas quanto as que ocorrem com o comportamento de seus alunos. Já é rotina em centros urbanos do país, estabelecimentos equipados com internet, que utilizam recursos como diários virtuais e promovem avaliações on-line para atender aos estudantes. Laboratórios estão cada vez mais sofisticados e as ferramentas tecnológicas se multiplicam à disposição dos estudantes. “As instituições precisam estar atentas. Existem alunos com diferentes estilos de aprendizagem, alguns aprendem ouvindo, outros vendo e ainda há aqueles que aprendem fazendo e interagindo” , analisa Silvia Fichmann. “O uso da tecnologia permite à escola atender a esses diferentes estilos de aprendizagem” . Os especialistas, no entanto, insistem que investir em tecnologia não basta. Para Silvia, a maior dificuldade das escolas não é ampliar o uso dos aparatos, mas saber aproveitá-los na metodologia do ensino. “Se a escola investe em tecnologia é preciso pensar na formação dos professores, para que esse investimento beneficie os alunos. Não adianta o professor dar aulas com toda aquela parafernália se a escola não os preparar para o uso efetivo das ferramentas” .

A atenção em relação a esse aspecto já existe em colégios particulares como o Bandeirantes, em São Paulo. Há seis anos alguns professores organizaram um grupo com o objetivo de testar a usabilidade e os resultados de toda tecnologia nova que a escola concordasse em colocar dentro das salas de aula. Foi o que eles fizeram com um controle remoto – o chamado CPS (Classroom Perfomance System) -, que ajuda nas votações feitas pelos alunos em classe. Inicialmente, o controle foi usado para pequenas avaliações, com perguntas relacionadas ao conteúdo ensinado. “Qual o resultado da soma 13 x 7?”, por exemplo. Os professores, no entanto, deduziram que poderiam ampliar o uso do equipamento para traçar o perfil dos estudantes. Atualmente, o colégio promove enquetes para avaliar comportamento, preferências e opiniões dos jovens.

A coordenadora do departamento de tecnologia educacional do colégio Dante Alighieri, Valdenice Minatel, constata que por necessidade nos últimos anos, o método de sua escola também mudou. “Não trabalhamos com formatos prontos. Nós acompanhamos o professor na sala de aula e ajudamos na transição. Se não focarmos nas pessoas, não há qualidade de ensino”, explica. Todo ano, o colégio promove webconferências com cientistas brasileiros a mais de 12 espalhados pelo mundo. Batizado de ’Conexão Antártica”, os alunos conversam em tempo real com os pesquisadores utilizando o comunicador instantâneo Skype. Segundo Valdenice, “a escola tem de executar projetos ligados a uma necessidade pedagógica e utilizar a informática para solucionar problemas”.

Os colégios particulares saíram na frente, mas a tecnologia também está mudando o ensino das escolas públicas. A escola municipal Joaquim Mendonça, em Orindiúva, pequena cidade de 6.000 habitantes na região norte de São Paulo é um exemplo. Referência de vanguarda no ensino público, o colégio atende 936 alunos e possui todas as salas de aula com lousas interativas e internet – coisa antes só vista nas escolas particulares. O investimento foi feito há três anos. “Não foi tão difícil se adaptar às lousas interativas. Mas alguns professores estranharam um pouco. A prefeitura pagou um curso de especialização para todos. Atualmente, temos aulas às terças e quintas-feiras via satélite. É um curso com professores universitários de Ribeirão Preto para melhorar nosso rendimento”, conta Ana Maria Borges Barbosa, diretora da escola.

Mesmo com tantos investimentos, a pesquisadora da UFRGS Léa Fagundes considera que a escola ainda não entrou na cultura digital. “Hoje, esses estabelecimentos querem trazer as ferramentas digitais para continuar ensinando como no modelo industrial. A tecnologia digital não é uma varinha mágica, nem um sistema multiuso e polivalente que serve para tudo. Não depende do professor dizer se é bom ou não, porque hoje ninguém tem a resposta certa. Estamos todos em busca da verdade”, acredita. “As condições culturais para a mudança pedagógica já estão dadas. A questão agora é apropriar-se delas e acreditar que se pode fazê-las. A resistência muito grande parte das concepções dos educadores de que sua missão é ensinar”. (Por Caio Barretto Briso, Kleyson Barbosa, Luís Guilherme Barrucho e Sofia Krause).

“Sem-terrinha em ação, para fazer a revolução”

Esse é um coro entoado por crianças de ensino fundamental nas escolas comandadas pelo MST. Detalhe espantoso: as escolas, fincadas em assentamentos, são estaduais. Também é o dinheiro público que patrocina as aulas que se passam nos acampamentos do movimento. Essas, particularmente, estão na mira do Ministério Público do Rio Grande do Sul, onde o MST é mais esparramado. Recentemente, o governo de lá decidiu fechar tais escolas, a pedido do procurador Gilberto Thums, que orientou o estado a fazê-lo por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta. Mas – depois que, com a medida, 140 crianças acabaram fora da sala de aula – o procurador, muito pressionado, admitiu a possibilidade de voltar atrás. Daí a medida ter sido submetida a uma comissão de promotores da área da infância, que, nesse momento, faz nova avaliação. Ninguém diz publicamente, ao menos ainda, mas sabe-se que há certa unanimidade em relação às escolas do MST (que, é bom que se lembre, são do estado). Elas não deviam existir.

Por uma razão simples. Essas escolas estão longe de cumprir com sua função básica, de preparar os jovens para viverem numa sociedade moderna. Ensinam o preconceito, fomentam o ódio, passam às crianças velhos estereótipos que só levam ao obscuratismo intelectual – e de nada servem. Nada mesmo. Fala-se, enfim, de algo muitíssimo atrasado e pouquíssimo democrático. Péssimo para as crianças, que precisam de muito mais do que é oferecido ali, e para o país, cujo dinheiro público escoa pelo ralo. Claro que essas crianças devem estar numa sala de aula, direito que é garantido a todas por lei. Mas numa escola que ensine química, física, matemática, português, geografia. E que esteja voltada para as questões da atualidade – e não para um ideário inútil e cheirando a mofo. Isso é o mínimo.

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