E d u c A ç ã o

13/08/2009

Cultura popular é a nossa!

Filed under: Cultura Brasileira,Cultura popular — jspimenta @ 14:39

O educador Tião Rocha, fundador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, tem uma forma de se apresentar que já virou bordão: “antropólogo por formação, educador popular por opção política, folclorista por necessidade e mineiro por sorte.” É, então, sobre a sua “necessidade” que nos interessamos na entrevista a seguir. Nela, discutimos o que pode ser entendido por folclore e a relação desse conjunto de saberes e expressões com o dia-a-dia da escola. Para ele, ainda há um salto a ser dado nessa área. “A escola não tem coragem de colocar o folclore na sua atividade básica”, diz. “E com isso não se propõe a aprender a cultura das pessoas.”

Como surgiram os estudos do folclore e com que viés foram produzidos os primeiros trabalhos na área no Brasil?

TIÃO ROCHA – O termo folclore nasceu na Inglaterra praticamente junto com a Antropologia, na segunda metade do século 19 – época em que o Império Inglês vivia em plena expansão. Ao contrário do que fizeram os dominadores do século 16, que usaram seus mitos, por meio da cultura e da religião, para justificar a dominação das colônias, no século 19 recorreu-se à ciência para promover a aculturação. A antropologia surgiu para estudar os povos chamados “primitivos” de fora da Europa. Mas os “primitivos” da Europa – camponeses e artesãos – também precisavam ser conhecidos, apreendidos e dominados. A palavra folclore surgiu, assim, para estudar os costumes e os valores dos povos que, dentro da lógica antropológica, eram cidadãos de segunda categoria. O sentido era tirar deles o que tinham e usá-los como instrumento de apropriação e dominação. Então, essa palavra traz consigo a característica de tomar o outro como desigual. No Brasil, os estudos de folclore começaram a ser realizados no início do século 20, e nossos intelectuais da época usaram isso como instrumento para estudar “os outros” – o estranho, o de longe, o da roça, o negro, o do meio do mato, o analfabeto. Todo esse ranço de discriminação infelizmente está aí até hoje. O que ocorreu um pouco na contramão disso foi o movimento modernista de 1922. Ele propunha romper com a cultura européia e pensar na brasileira, partindo dos brasileiros, sem depender do controle externo. Além do desenvolvimento da pintura, da gravura e da música, a Semana de Arte Moderna também mostrou esse mergulho de procurar nas raízes da cultura brasileira o seu valor. Não mais no sentido do olhar sobre os desqualificados, mas buscando valores que pudessem se afirmar como uma nacionalidade brasileira. Esse movimento abriu perspectivas de estudos mais sistemáticos sobre cultura popular, que redundou em trabalhos como o de [Luis da] Câmara Cascudo [autor, entre outras obras, do Dicionário do Folclore Brasileiro, 1954, Global Editora, 774 págs., 98 reais, tel. (11) 3277-7999], que já tem um sentido muito mais ligado à aprendizagem. A ideia desses folcloristas não era dominar, mas ainda trabalhavam sob a perspectiva do exótico, do diferente. Hoje já se pode dizer que há menos preconceito, mas infelizmente ele ainda existe. E as escolas continuam repetindo esse padrão.

Como podemos definir hoje o que é folclore?

TIÃO – O que chamamos de folclore é a cultura popular tradicional, que se mantém pela tradição. As pessoas aprendem no fazer, dando resposta às suas necessidades. Imagine que um indivíduo teve uma necessidade de qualquer natureza: ele estava com fome, pegou uma fruta e comeu. Ele pôs na boca, porque achou que aquilo ia matar a sua fome. Com isso, descobriu muitas coisas: que tinha sabor, que era prazeroso, etc. Ou então que matava a fome, mas que dava dor de barriga. É ação e reação imediata. A partir de uma necessidade, ele precisa de uma resposta. Se essa resposta funcionou uma, duas, três vezes, você passa a usá-la. Isso chama-se uso. ‘Eu uso isso quando tenho tal dor’, por exemplo. Esse uso individual e rotineiro vai se constituir em um hábito. Quando isso sai do âmbito individual e vai para a coletividade da família, do grupo, esse hábito vira costume, porque deixou de ser uma resposta individual para ser do coletivo. As pessoas sabem que comer tal coisa funciona ou não, e repassam isso. Com o tempo, essas coisas vão sendo passadas e incorporadas e assim viram tradição. E a tradição não é algo do passado, é contemporânea, é o que você vê hoje, o que chegou aos dias atuais.

De que forma a escola pode trabalhar as culturas populares?

TIÃO – Todos os meninos brasileiros poderiam encontrar na escola um espaço para levar, discutir e trocar a cultura apreendida em casa, na rua e no bairro. Trabalhar com as tradições que ainda se mantêm. Pode ser na avenida Paulista, na favela, no Morumbi ou no campo, no centro ou na periferia. O que as pessoas daquela rua, daquele prédio têm de tradições? Veríamos muitas coisas: regras, cantigas de ninar, provérbios, pensamentos, linguagem oral. E é isso que os meninos carregam consigo quando chegam à escola, essa cultura caseira – em qualquer família, não importa o nível econômico. Isso deveria ser usado para facilitar a entrada na escolaridade. As histórias que ouviram da avó, da mãe, as cantigas de ninar, os ritos de passagem – como a família comemora aniversários, casamentos, batizados -, os brinquedos, as brincadeiras. Conhecer tudo isso é melhor do que aprender sobre Saci – algo que para a maioria é um negócio quase extra-terrestre.

O trabalho estereotipado com mitos e lendas (como a do Saci, da Iara e do Curupira) tornou-se praticamente o único a ser realizado nas escolas. De onde vem essa tradição e por que ela é prejudicial?

TIÃO – O modelo seletivo e discriminatório do início do século sobre a cultura popular continua a vigorar e se relaciona com as várias formas de preconceito existentes. Isso entra na escola porque nós vivemos numa sociedade bipolar, dicotômica: são os superiores e os inferiores, o branco e o negro, o homem da cidade e o da roça, o do centro e o da periferia. Essa dicotomia se reproduz na vida e também nos padrões de ensino. Mitos como o do Saci e do Curupira passaram pela “folclorização” da cultura popular, o que em si já é uma grande discussão. Transformaram-se, nessa abordagem, em uma coisa descontextualizada, que ficou presa num passado remoto e, em geral, acaba nem tendo sentido na atualidade. O problema é a cultura popular se resumir a emblemas que estarão presentes e serão comemorados apenas eventualmente na escola. É a mesma coisa que se fez com o índio, com o meio ambiente, com o dia da árvore: durante todo o resto do ano, esses temas não interessam. Isso transforma a cultura popular em um produto, algo sem sentido, desconectado de qualquer lógica que sobreviva por si. Infelizmente, o que a nossa escola vem fazendo com a cultura popular é um desperdício. Ela não tem coragem de colocar isso na sua atividade básica, não se propõe a aprender a cultura das pessoas.

É importante a escola trabalhar outras culturas populares, que não a da comunidade em que está inserida?

TIÃO – Eu acho que é importante, desde que ela comece pela cultura de seu aluno. Se ela começa com aquilo que o aluno traz, fica mais fácil para ele entender todas as outras, do ponto de vista da diversidade cultural. A criança só pode entender a diversidade se ela se sente parte disso. Caso contrário, será sempre o outro, o diverso, que cai na perspectiva do exótico. O que é diferente costuma ser complicado, porque não figura como igual. Se as crianças perceberem que elas jogam amarelinha de um jeito em seus contextos, e que a brincadeira se faz de outra forma no bairro vizinho, elas passam a encarar as duas formas de brincar como semelhantes.

Qual a relação das culturas populares com a formação da identidade da criança e com a constituição de uma identidade nacional?

TIÃO – As crianças precisam passar por um processo de apropriação coerente com a sua idade, o seu ritmo e seu contexto. Não faz muito sentido nem acelerar esse processo nem pular etapas. A criança não vai se sentir brasileira antes de reconhecer a sua família. Não adianta falar de outro mundo se ela não conseguir perceber a sua rua, o seu bairro, a sua pequena comunidade – aquilo que é visível, palpável, o que ela toca. Depois disso é que ela começa a perceber que consegue participar de outras coisas e vai se sentir brasileiro. A meu ver, esse é o processo para que ela se sinta cidadã do mundo. A escola tem que conversar com o mundo, mas não adianta querer falar da China só porque está na onda, é o país do futuro. Falar da China vem depois de se falar da gente.

Quando se pensa em folclore, é comum associar suas expressões à cultura oral. Isso dá margem a pensar que cultura popular e escrita são incompatíveis. Essa ideia tem fundamento?

TIÃO – Isso tem a ver com as origens da cultura popular tradicional. Se o povo que era detentor da cultura não tinha acesso à escrita – código que era próprio das classes abastadas – ele era ágrafo. A oralidade tem sido o maior instrumento de manutenção, de manifestação e de preservação da cultura popular. Portanto, ela é muito mais vulnerável e a tendência é ela se perder porque não se cristaliza no registro, no documento escrito, sistematizado. Mas o fato de as pessoas passarem a dominar esses códigos e produzir registros escritos não significa que elas foram perdendo a sua tradição.

As produções contemporâneas podem virar folclore?

TIÃO – Sim. Vamos pensar na questão dos ritmos musicais do Brasil. Qual é a possibilidade de os axés um dia se transformarem e virarem cultura popular? Esse processo é resultado da apropriação e da incorporação como valor pelo povo. Isso já ocorreu com outros elementos que vieram de uma produção de elite – a valsa, por exemplo, que se transformou nos xotes populares, na dança. O mesmo aconteceu com outros tipos de música como o xaxado, as modas de viola. Há um processo de apropriação do popular e, se fizer sentido, cria-se um valor nisso para aquela gente. Ao mesmo tempo há o artesanato tradicional, por exemplo, que atende a determinada função, mas que vai mudando. Em função do tempo que passa, da modernidade, certos elementos vão sofrendo alterações. Alguns se mantêm, outros não, e surgem novos. Por isso, as produções contemporâneas podem virar folclore um dia. Trata-se de um processo que fica cada vez mais complexo, ainda mais se consideramos a atual velocidade e facilidade das conexões imediatas da internet e as informações vindas de toda parte do mundo.

Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/folclore/entrevista-folclore.shtml

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Folclore é mais do que se imagina…

Filed under: Cultura popular,Folclore — jspimenta @ 14:32

Em geral tratado de forma preconceituosa ou limitada, o folclore é uma área de saberes e expressões que merece muito mais reflexão na hora de ser abordado na escola.

No calendário, o folclore tem data marcada para ser lembrado: dia 22 de agosto. E na vida das pessoas, quando ele acontece? Ter clareza sobre essa questão é o primeiro passo para trabalhar na escola as manifestações e a importância da cultura popular tradicional. Por isso, preparamos este conteúdo especial, dividido em três partes: uma entrevista com o educador popular Tião Rocha, do Centro Popular de Desenvolvimento e Cultura, uma pequena antologia de clichês sobre o tema, acompanhada da devida desconstrução de cada um deles e um para estimular a reflexão sobre o folclore.

Não raro, o folclore costuma resumir-se nas salas e pátios escolares à comemoração de seu dia, quando são relembradas lendas como a da Iara, do Saci Pererê, do Curupira, entre outras. Como geralmente não se articulam em projetos ou sequências didáticas nem fazem parte do dia-a-dia da instituição, a percepção das crianças em relação ao que é, de fato, a cultura popular tradicional fica muito aquém do que essa área de saberes e expressões tem a oferecer. E, para piorar, o mais comum é que suas manifestações acabam sendo tratadas na escola de maneira preconceituosa – como algo inferior em termos de conhecimento.

O folclore diz respeito à vida de cada um de nós, já que pertencemos a grupos sociais que levam adiante costumes, saberes e valores. Da mais simples receita culinária ao mais complexo ritual de casamento, tudo é compartilhado por um grupo e levado adiante com o passar do tempo e das gerações. Isso acontece somente por uma razão: essas tradições continuam a fazer sentido, inclusive para os mais jovens.

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
O que é folclore, de Carlos Rodrigues Brandão
Entendendo o folclore, de Maria Laura Cavalcanti
Roteiro de pesquisa sobre folclore, por Tião Rocha

Clichês! Não é bem assim!

Por sua natureza de difícil delimitação, o folclore é um campo fértil para a formação de clichês. De tanto ser repetidas, algumas ideias sobre o assunto acabam entendidas como verdades. Selecionamos algumas delas e, revendo conceitos, procuramos quebrá-las. Para tal, contamos com a assessoria de Alberto Ikeda, professor de cultura popular e etnomusicologia da UNESP.

Folclore são apenas mitos e histórias

O folclore – ou cultura popular tradicional – vai muito além disso. São saberes que alcançam todas as expressões, conhecimentos e costumes dos grupos humanos, desde que tenham algumas características. Eles devem: 1) ser de domínio e prática coletiva, 2) transmitir-se no convívio social geralmente por meios não-formais de ensino e aprendizagem (eventualmente transformando-se nesse processo), 3) ter presença ao longo de um período histórico e chegar aos dias atuais. Algumas práticas podem ser restritas a um âmbito local ou regional, mas outras podem ser quase universais, difundindo-se por um amplo território ou aparecendo concomitantemente em mais de uma localidade. A cerâmica, por exemplo – que é o uso do barro para o artesanato utilitário – aparece em um número enorme de grupos sociais. Nas diferentes comunidades, há particularidades na técnica de manuseio do barro e na sua transformação em cerâmica, mas, de maneira geral, o processo é semelhante.

O folclore só existe em comunidades rurais

As comunidades rurais geralmente têm expressões do folclore muito presentes em sua vida cotidiana. Mas isso não significa que as urbanas vivam apartadas das culturas populares tradicionais. Além do repertório das regiões interioranas ter chegado à cidade com o êxodo rural – e ali, muitas vezes, ter se modificado –, diversas manifestações surgem no próprio contexto urbano, como brincadeiras (de elástico, por exemplo), lendas (quem não conhece a da loira do banheiro?) e procedimentos de comunicação (como escrever em banheiros públicos, um costume encontrado até na Roma Antiga).

Para que alguma manifestação cultural seja considerada folclore, não se pode atribuir uma autoria pessoal a ela

Nem todas as expressões folclóricas têm autoria desconhecida. Como a maioria delas tem origem remota, é comum que a identidade do autor se perca ao longo do tempo. Mas nada impede que a obra de um artista conhecido, por exemplo, que alcance domínio público em uma comunidade e tenha usos sociais nesse contexto – virando uma tradição para muita gente – seja considerada folclore. Com o passar dos anos, a comunidade pode continuar sabendo que determinada obra foi criação desse artista ou a informação pode se perder. O que importa é que as pessoas a entendam como algo que faz parte da sua vida e de seu grupo social. A prática dos figureiros de Caruaru, por exemplo, que fazem seus bonecos à maneira de Mestre Vitalino, criador de um estilo característico, podem se enquadrar como expressões do folclore.

Como o folclore é transmitido pela cultura oral, nada que seja escrito faz parte dele

Há poucas décadas no Brasil, a leitura e a escrita ainda eram restritas às elites. Assim, as tradições da zona rural, que concentrava a maior parte da população, eram transmitidas oralmente. Isso não quer dizer que o registro e a difusão por meio da escrita – assim como as expressões próprias da cultura letrada – não possam ser considerados folclore. A literatura de cordel, que tem histórias e versos conhecidos pela gente, é um exemplo disso, assim como as frases de para-choque de caminhão, as formulações para não se vender fiado e os epitáfios nos túmulos.

O folclore só se constrói em contextos sociais de pouca escolaridade

Qualquer pessoa, por mais escolarizada que seja, traz um legado de saberes e costumes oriundos de tradições de seu contexto familiar e social. O que geralmente ocorre é que esses saberes tradicionais pautam mais a vida de pessoas de baixa escolaridade do que aquelas que têm acesso a informações científicas e a uma pluralidade de “modos de fazer”. O principal aspecto relativo a este ponto é não opor os saberes tradicionais à ciência em um sentido de comparação, pois eles são de ordens e usos distintos, e dependem sempre das crenças pessoais e culturais de cada indivíduo. Remédios caseiros, como chás para tosse ou de camomila para acalmar, por exemplo, têm suas receitas levadas adiante na tradição e são utilizadas até hoje por pessoas das mais variadas escolaridades.

As manifestações folclóricas são fixas e não se modificam nunca

Embora os saberes ditos folclóricos tendam a se preservar por um longo tempo, as transformações são inerentes a qualquer manifestação humana. Como o folclore é apropriado pela gente e transmitido em seus contextos de uso social, é natural que se adapte e se modifique com o passar do tempo. Com as migrações, o aumento da velocidade e intensidade de troca de informações, as novas tecnologias, os modos de vida mudaram. Nesse processo, as expressões tradicionais só sobrevivem se continuarem a fazer sentido para as pessoas. A dança da quadrilha caipira, por exemplo, já sofreu muitas modificações em sua coreografia desde o século 19. Da mesma forma, seus comandos mudaram: antigamente o “para a frente”, se dizia “anavam”, o “para trás”, “anarriê” e o “gire” era “tur”. Isso porque eles se referiam aos termos em francês que os originaram (“en avant”, “en arrière” e “tour”). A maioria das pessoas sequer sabia de onde eles vinham e, ao longo dos anos, os temos em português tomaram o lugar dos “neologismos” na dança.

Na escola, só é possível trabalhar com folclore no mês de agosto ou em datas de festas populares

A cultura popular deve ser reconhecida pela escola, trazida para as discussões em sala de aula e considerada em práticas como a merenda e as reuniões de pais. As mais diversas expressões folclóricas se manifestam no ambiente escolar, mas passam despercebidas ou são até mesmo desaprovadas nesse contexto. Brincadeiras (amarelinha, brincadeira de taco, pega-pega, etc.), hábitos de alimentação (comer manga com feijão, farinha em todas as refeições, misturas de diferentes tipos de ingredientes em um só prato) e datas comemorativas (como o dia de São Cosme e São Damião): tudo isso está presente na vida das crianças e é, direta ou indiretamente, incorporado ao ambiente escolar. Considerar os saberes que as crianças trazem de seus contextos culturais pode levantar diversos elementos do folclore. Um aspecto importante é valorizar esse conjunto de expressões e saberes, e não tratá-los como “crendices” a serem abandonadas. Além disso, a escola pode propor projetos voltados para o estudo de diferentes aspectos das culturas populares. Quando se pensa nisso como algo presente na vida de todos nós, não se corre o risco de tratar outros costumes e expressões culturais como algo exótico e distanciado da realidade.

O folclore deve ser trabalhado apenas nas aulas de arte

Outra ideia equivocada sobre folclore é que ele se limita a expressões artísticas e que, com isso, a disciplina de Arte seria a única em que faria sentido abordá-lo. As culturas populares dizem respeito aos mais diversos aspectos da vida de um grupo social – entre eles, suas expressões artísticas. Mas muito se relaciona a cuidados com o corpo (com remédios caseiros e precauções para não adoecer), uso da língua (ditados e parlendas), técnicas de preparação de alimentos (receitas e ocasiões em que se come um determinado prato, como milho assado e canjica nas festas juninas), brincadeiras de movimento (como rodas e jogos de adivinhar), e muitos outros elementos da vida – temas que interessam outras áreas do conhecimento que não apenas as artes. Além disso, o enquadramento do folclore apenas às aulas de Arte pode se relacionar com a desvalorização tanto das culturas populares tradicionais quanto da disciplina. Vista por muitos como uma “aula de recreação”, em que não são trabalhados conhecimentos, ela seria o espaço perfeito para tratar o folclore, que também não se relaciona com um trabalho intelectual. Preconceito em dobro a ser quebrado.

O folclore não faz parte do universo cultural dos alunos

Da forma como o folclore é muitas vezes tratado hoje nas escolas – limitado à menção de personagens como Saci Pererê ou Curupira – talvez não se relacione ao universo cultural dos alunos. Mas, como já citado, o folclore faz parte da vida de qualquer pessoa, nem é preciso dizer que se interessar por ele é uma forma de conhecer melhor as crianças, seus familiares e a comunidade.

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